O Homem Justo, o cafajeste e o bonzinho

por John Nada

A sociedade atual prega a conquista material como a maior meta a ser alcançada. E porque isso? Porque aqueles que se destacarem em seu meio social é que irão levar as melhores mulheres. A princípio isso há nada de errado nisso. O mundo deve pertencer aos melhores.

O problema começa quando os piores passam a ser eleitos como os melhores. Isso nada mais é do que um sintoma dos valores invertidos da sociedade de hoje, uma sociedade de consumo que em nome do lucro valoriza o “ter” ou o “parecer” em detrimento do “ser”.

Motivo: “ter” e “parecer” podem ser transformados em mercadorias e vendidos, “ser” não. Você pode “ter” um carro ou pode “parecer” bonito com as roupas da moda, mas “ser” é a única coisa que o capitalismo não conseguiu transformar em mercadoria. Pois “ser” é algo que depende de você, apenas de você.

Já perceberam como existe toda uma indústria em volta da mulher?

Não estou me referindo apenas a produtos de belezas e similares vendidos a ela, estou me referindo a produtos de consumo destinados a homens que querem conquistar essas mulheres.

Convenhamos quem compra um carro hoje em dia não está comprando um veículo de transporte, está comprando um motel sobre rodas. Além disso, a mídia empurra todo um estilo de comportamento para os homens e lucra em cima destes. Os filmes românticos de Hollywood são um bom exemplo, nesses o bom-moço sempre leva a mocinha. E revistas masculinas como playboy e V.I.P vendem milhares de exemplares dando aos homens dicas de que perfume usar ou o que dizer na cama para enlouquecer uma mulher. 

O cafajeste e o bonzinho são produtos dessa indústria. Vou chamá-la de “A Indústria do Amor”. De formas diferentes ambos são convencidos pela mídia que a autoestima e a felicidade deles depende de seu sucesso com mulheres. O primeiro é aquele que acha que agindo conforma a receita de bom-moço dos contos de fadas e romances melosos irá conquistar a mulher de seu sonho.

Já o segundo é aquele que descobre que foi enganado pela mídia, e ao descobrir isso desenvolve o todo o seu carisma e bom papo para… conquistar mulheres (se todos os cafajestes usassem seu carisma para convencer as pessoas a fazerem algo de útil pelo mundo como, por exemplo, lutar contra fome, esta já teria sido erradicada do planeta).

O cafajeste e o bonzinho são dois lados da mesma moeda: ambos vivem paras mulheres. Ambos foram enganados e levados a acreditar que sua felicidade está nela e que sua vida sem mulheres é sem sentido. O bonzinho sofre por não ver sua bondade ser recompensada pelas fêmeas e o cafajeste vive em um círculo vicioso a busca de diferentes fêmeas procurando preencher o vazio deixado pela conquista anterior, o que ele não percebe é que nenhuma mulher trará a paz de espírito que ele deseja e isso vale também para o bonzinho. Enfim, embora o cafajeste aparente ser bem-sucedido no fundo ambos fazem parte do sistema, sustentam esse sistema e são dominados por este.

O Homem Justo não. Ele é um homem livre, ou pelo menos o que está mais próximo de ser livre. Seu único senhor é sua consciência. Ele busca um ideal de vida para si, mas não é escravo desse ideal. O Homem Justo sabe que os modismos e regras que a sociedade impõe não passam de joguinhos ridículos criados por um sistema que apenas deseja explorá-lo vendendo falsas promessas de felicidade. 

O Homem Justo sabe que a felicidade não está no carro ou na roupa que ele comprou ou na mulher que conquistou. A felicidade do Homem Justo está no homem que ele é, no homem que ele idealiza ser e luta para  ser.

A felicidade do bonzinho e do cafajeste depende das mulheres, a felicidade do Homem Justo depende apenas de si mesmo.

Este texto faz parte do projeto: Segunda das Relíquias Perdidas.

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