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fev 10 2017

Masculinidade e a moral do senhor

Por Jack Donovan

Num artigo da Scientific American intitulado “Quando os homens são mais imorais do que as mulheres“, a professora de psicologia Cindi May alega que os homens são mais propensos a “burlar barreiras éticas” se eles sentem que sua masculinidade está em risco. Ela conclui recomendando que “se os padrões éticos são um fator significativo na sua escolha para um analista financeiro ou um corretor de imóveis, talvez seria mais seguro escolher uma mulher do que um homem para a tarefa.”

Eu vi esta alegação antes no jornal britânico Daily Mail, e imediatamente pensei se defender discriminação baseada no sexo da pessoa pode ser considerado “crime de ódio” na Inglaterra, mas rapidamente descobri que May está segura de tais leis já que ela mora aqui nos EUA. Seja na colônia ou na metrópole, é seguro falar que se tal afirmação fosse feita em detrimentos à mulheres ou algum outro grupo étnico protegido, seria um grande escândalo cheio de choro, ranger de dentes e pedidos públicos de desculpas. Entretanto, na grande mídia não é apenas aceitável, mas sim algo bonito descriminar o homem e afirmar que contratar mulheres em detrimento ao homem é melhor para os negócios e que, teoricamente, fazer tal coisa iria resolver todos os problemas do mundo…

A visão enviesada de May é facilmente constatada pelo uso de uma linguagem carregada e cheia de sarcasmos:

Aparentemente, a masculinidade é algo relativamente frágil e precária, e quando é desafiada, os homens tendem a ficar mais agressivos e ficarem na defensiva.

Isto não passa de clichê feminista, até ultrapassado pode-se dizer, usado numa publicação que se diz respeitável e científica como a Scientific American. Referir-se a masculinidade como algo “frágil” (comparado ao que?) é o tipo de coisa idiota que se lê em revistinhas de fofocas e outras porcarias editoriais.

May ignorou questões mais complexas e apresentou suas conclusões como se fossem ciência pura. Ela afirma que a “evidência” não sugere que a testosterona ou diferenças genéticas entre os sexos tem muito a ver com a disputa de status masculino.

Leitores mais atentos provavelmente dariam uma olhada, por exemplo, no estudo de Paul C. Bernhardt entitulado “Influences of Serotonin and Testosterone in Aggression and Dominance: Convergence with Social Psychology,” que sugere que uma alta taxa de testosterona no sangue se correlaciona com comportamentos que promovem a busca por status, como ganhar uma negociação. (Current Directions in Psychological Science, Vol. 6, No. 2 (Apr., 1997), pp. 44-48) Alguns dos colegas de May também notaram que “durante as negociações, a taxa de testosterona aumenta naqueles que pensam que podem manter ou ganhar status, e diminui naqueles que pensam que irão perdê-lo.” (Testosterone and Social Behavior Alan Booth, Douglas A. Granger, Allan Mazur and Katie T. Kivlighan. Social Forces, Vol. 85, No. 1 (Sep., 2006), pp. 167-191). Também há evidências de negociadores da bolsa de valores tendo uma performance melhor quando sua taxa de testosterona está mais alta, o que talvez seja uma das razões pelas quais o tratamento de reposição hormonal seja tão popular entre aqueles que trabalham em Wall Street.

A testosterona provavelmente é uma das razões pelas quais o homem age de forma diferente da mulher numa situação de negociação. Entretanto, antes de prosseguirmos, eu gostaria de fazer uma observação sobre a testosterona, masculinidade, feminismo, análise histórica e estudos contemporâneos que abordam a diferença entre os sexos. Se, segundo alguns estudos demonstram, as taxas atuais de testosterona nos indivíduos do sexo masculino estão artificialmente mais baixas – dada a uma variedade de fatores como poluição, estilo de vida sedentário e a obesidade generalizada – então os estudos que nos mostram poucas diferenças comportamentais entre os sexos nos dizem bem menos sobre diferenças históricas entre os sexos do que é alegado. Basicamente, se o homem atual é quimicamente menos masculino que seus antepassados, muitos esteriótipos masculinos do passado são ainda mais válidos que os dados contemporâneos querem sugerir. Há uma boa razão para crer que homens e mulheres eram bem mais diferentes mesmo há poucas décadas atrás.

Ao invés de lidar com esta complexa realidade, May preferiu ir pelo caminho mais fácil e errado. Ela previsivelmente apontou para as vagas associações “culturais” correlacionando a vitória e a masculinidade e a conclusão que fica implícita é que devemos reduzir as associações culturais entre a masculinidade e a vitória para aumentar a moralidade masculina.

May ou é meio devagar para uma professora ou está mais afim de adulterar provas que qualquer um pode constatar para dar uma percepção falsa de vitória para a mulher. Isto não ajuda ela a afirmar que o homem é menos ético que a mulher, mas seu hamster racionalizador pode provavelmente explicar para nós como ela é moralmente superior ao homem, não importando o que ela escreve ou age por aí. De qualquer forma, ela me fez relembrar uma proposta de lei mexicana, que queria impor o uso de roupas de bruxo pelos psicólogos na corte.

Esta é uma explicação melhor para o resultado dos estudos dela. A mulher não é mais “ética” em qualquer senso nobre da palavra. Elas são mais tímidas – mais avessas ao risco – e mais empáticas.

Uma taxa mais alta de testosterona no homem se correlaciona com uma menor empatia e um maior otimismo sobre as chances de sucesso do homem. As reações evolutivas para isto são bastante óbvias se você pensar um pouco sobre os tipos de serviço que o homem é mais propenso a fazer durante toda a história da humanidade.

O homem passava mais tempo nas fronteiras de sua tribo em cenários onde eles se beneficiavam dos resultados de ações mais arriscadas (poder comer carne de animais perigosos, vencer inimigos externos) e com um grande foco na vitória – no contexto de um grupo masculino. Quando estão competindo – dentro de um grupo – ou lutando contra outros homens, ter muita empatia é uma desvantagem. Para tirar a vida de um inimigo, você deve estar mais preocupado com sua própria vida do que com seus sentimentos. A vitória vem em primeiro lugar, a empatia em segundo. É um absurdo colocar isto como se fosse uma mera invenção cultural, quando fica óbvio que a habilidade de desumanizar um competidor é uma tática de sobrevivência. Há muitas razões para crer que os homens evoluíram através da capacidade de desumanizar competidores, já que aqueles que falhavam neste papel provavelmente perderam para aqueles homens que conseguiam matá-los sem remorso.

Temos uma variante disto, é claro, já que o homem sempre teve que que cooperar com outros homens para poder caçar e guerrear. O homem precisa ser capaz de não se importar com seus inimigos e competidores, mas devem também agir como um grupo e zelar pelo bem estar de seus companheiros de batalha ou de caça. Eles devem estar dispostos a aceitar riscos e até mesmo se sacrificarem pelo bem dos outros homens de seu grupo. Os homens competem entre si para poderem atingir um alto status dentro de seu grupo – algo valorizado pelos outros homens – e temos muitas razões para crer que o homem mais valorizado pelo grupo certamente levava a maior parte dos lucros da vitória.

Darwin acreditava que tal habilidade de se sacrificar pelo grupo numa batalha é o cerne do altruísmo. Em seu livro “A descendência do Homem e Seleção em relação ao Sexo“, ele escreve que “uma tribo que tem muitos de seus membros que possuem um grande espírito de patriotismo, fidelidade, obediência, coragem e simpatia e que estão sempre dispostos a se ajudarem e a se sacrificar pelo bem comum, irão triunfar sobre a maioria das outras tribos; e isto seria a seleção natural.”

Isto pode ser verdade, mas falando de modo prático, isto também é a base da honra – a preocupação de sua reputação entre seus pares – e uma forte propensão a evitar a desonra.

Aqui temos algumas idéias gerais sobre o homem das quais podemos extrair de tudo isso, o que explicam os resultados das pesquisas citadas de uma forma menos imbecil como a psicóloga charlatã fez.

  1. O homem, quando ameaçado com a derrota, tende a colocar um valor maior em vencer do que ter empatia pelos competidores ou seguir códigos morais abstratos;
  2. Para o homem, evitar a desonra – definida como um perda de status entre seus pares – é um motivador mais forte do que ser considerado imoral ou menos empático;
  3. (Hipoteticamente) códigos morais provavelmente tem uma influência maior sobre o homem quando ele se liga diretamente ao status do homem no grupo, e/ou a perda da honra (o cavalheirismo ocidental e o bushido são exemplos de códigos morais que se ligam ao status masculino no grupo.)

Num cenário de sobrevivência, quando o homem perde todo o grupo perderá com ele. Falhar significa fome e morte. A vitória deve vir em primeiro lugar, as discussões sobre moralidade mais refinadas são uma luxúria conquistada pelo sucesso.

Com isto segue-se o fato que a mulher é menos propensa a assumir riscos e mais empática com os outros. A mulher tradicionalmente nunca foi julgada pela sua obstinada competitividade ou habilidade de vencer, mas pela sua conduta dentro da tribo. Ela tem menos razões para desumanizar os inimigos, e todas as razões para tentar perceber o que os outros estão pensando e sentindo, e também todas os motivos para agir de olho em evitar possíveis custos sociais que nada tem a ver com a honra masculina, a vitória ou bravura. Uma mulher socialmente desprezada e ignorada por ser excepcionalmente indesejável, desagradável ou não confiável se encontra numa posição de risco similar ao homem que é considerado desleal, covarde ou fraco.

No meu livro The Way of Men, eu faço uma observação ao apresentar a masculinidade como algo “amoral”, já que muitos pensam na moralidade em termos civilizados, quase judaico-cristãos, que incorporam aspectos de culpa e ascetismo que Nietzsche associaria com o ressentimento – os valores sacerdotais e invertido dos mansos e ciumentos. O que tais estudos nos revelam sobre o homem é o que Nietzsche chamaria de “moral do senhor. Para o “senhor”, o que está acima de tudo é vencer, enquanto o resto pode ser visto depois. É o “direito” do mais forte.

A interpretação feminista de Cindi May desses estudos está coberto de ressentimento. Ele demonstra uma inveja da força – a vitória – e um desejo de fazer com que o sexo mais fraco pareça moralmente superior por estar menos disposto a ganhar e mais preocupado com sentimentos, empatia e evitar riscos.

FONTE

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