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nov 05 2015

Coletânea de Mitos Africanos – Primeira Parte

por DiomedesRJ

INTRODUÇÃO

As Mitologias de todo mundo são fontes de sabedoria e instrução dos Homens, há tempos imemoriais. Sejam transmitidas pelos poetas, escribas ou apenas de boca em boca, elas atravessaram as eras.

Dediquei um período para selecionar algumas histórias da Mitologia Africana, referência de conhecimento até hoje, para os praticantes das Religiões Afro-Brasileiras.

Para eles, são mais do que mitos, algo expresso pelo nome que as chamam, Itan (histórias), posto que é sacrilégio, duvidar que são relatos de quando os Deuses caminharam entre nós.

Será uma sequência de postagens mais curtas, do que os Trabalhos de Hércules (que ainda serão concluídos), mas espero que sejam de proveito a todos. Serão publicados três Itan por vez, até se completarem doze.

Dedico essa sequência, a todos os Iniciados e Sacerdotes, que preservaram tais histórias, e aos Realistas seguidores desse Caminho. Que os Orixás possam zelar pelos que a eles dedicam seus dias, pelo bem de todos nós.

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A Verdadeira Amizade

Orumilá, divindade que recebeu do Orun (o Céu) o primeiro Oráculo, Ifá, tinha se tornado muito solicitado. Desde que passou a possuir o único meio de se consultar o Destino, muitas pessoas passaram a segui-lo e buscar sua companhia.

Teve ele, então, dúvida sobre se os que o cercavam, eram realmente seus amigos, sejam eles homens ou Deuses. Após consultar Ifá, ele deu instruções a sua esposa, sobre como ele tiraria essa dúvida.

No dia seguinte, a esposa de Orumilá, anunciou a morte de seu marido, na aldeia onde vivia. Após receber as condolências, retornou à sua casa. Pouco tempo depois, ela recebeu uma visita.

Um dos amigos de Orumilá, veio dizer o quanto sofria pela morte dele, mas veio avisar que na última vez que falou com o Deus da Adivinhação, ele prometeu dar Ifá como um presente, quando morresse.

A esposa de Orumilá, disse então ao amigo, que lamentava muito, mas não tinha encontrado em lugar algum, quando o marido morreu, a bolsa onde Ifá estava guardado. Então, não poderia cumprir sua Última Vontade.

Esse amigo, muito decepcionado, então, partiu. E como ele, veio outro. E outro. E outro. Todos contando que de uma forma ou outra, queriam ficar com Ifá. E todos saindo frustrados.

Perto do fim do dia, chegou Bara (também chamado de Exu), Mensageiro dos Deuses, conhecido por seus muitos recursos, e famoso por sua capacidade de enganar e manipular, quando julgava necessário.

Bara disse para a esposa de Orumilá, que sentia pela morte de seu amigo, mas que com certeza, ela sofria mais do que todos, agora que teria que viver sozinha.

A esposa, então, perguntou ao Mensageiro, se seu marido tinha lhe dito algo, antes de morrer. Bara disse que não. Perguntou se Orumilá tinha lhe deixado algum presente. Bara disse, que nenhum.

Perguntou se ele tinha certeza. Bara disse que tinha.

Orumilá, então, saiu de trás da sua casa, tendo ouvido tudo, e instruído o que sua mulher fez e disse, falando a Bara, que ele sim, era seu único amigo, pois era o único que nunca se aproximou dele, por interesse.

Foi assim que Orumilá, encontrou a Amizade, no lugar onde menos esperava.

Nota: Bara equivale a Mercúrio/Hermes na Mitologia Greco-Romana, e a Loki, na Mitologia Nórdica, entre outros.

A Coragem sem Estratégia, é Vazia

Os Deuses estavam agitados. Uma jovem dentre eles, Obá, estava prestes a lhes roubar a supremacia.

Ela, que tinha a força das águas revoltas, tinha nascido bruta, e desprovida da natural graça que as outras Deusas tinham. Por isso, se dedicou exclusivamente ao combate, até que desafiou qualquer Deus a lhe dominar, numa luta de mãos nuas.

Quatro outras divindades já tinham sido derrotadas pela sua força bruta, quando Ogum, Deus da Guerra e do Ferro, decidiu aceitar o desafio de Obá. Mas diferente do que normalmente ele agia, de forma impulsiva e direta, ele decidiu procurar Ifá, para que o Oráculo lhe assegurasse a vitória. Ele guardou o conselho, preparou o lugar do combate, e desafiou Obá a lhe enfrentar ali.

Obá chegou confiante, disposta a colocar a derrota do Deus da Guerra, entre seus feitos. Ao seus corpos colidirem, ao invés de Ogum simplesmente se opôr a sua força, ele guiou os passos dela, até onde desejava.

Os espectatores viram com assombro, Obá deslizar com seus pés, e cair. Segundo o conselho do Oráculo, Ogum havia espalhado uma massa de milho e quiabo amassado pelo terreno, de forma a deixá-lo escorregadio.

Conforme continuava a se debater, com Ogum segurando o seu corpo, Obá fez uma descoberta fatal. Ela sabia como não ser derrubada. Mas mesmo fora da parte escorregadia, não sabia como se desvencilhar e se levantar novamente, uma vez caída.

Sem ter como se defender, Obá não teve escolha, senão se render a Ogum, e declará-lo vencedor.

Sua admiração por seu adversário foi tão grande, que Obá aceitou ser esposa de Ogum, após a luta. Mas isso, é outra história.

Nota: Ogum equivale a Marte/Ares, assim como acumula as funções de Vulcano/Hefestos, na Mitologia Greco-Romana.

CONTINUA NO PRÓXIMO ARTIGO

ogum

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