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jun 18 2014

Karl Marx e Elliot Rodger: o surgimento da falsa consciência sexual

marx
* como eu sei muito bem que tem um monte de quadrúpedes por aí que vão bater o olho e falar “tá vendo? tão defendendo o maluco lá!!!”. Antes de falarem qualquer merda, leiam a porra do artigo primeiro! Quem tem o mínimo de domínio em interpretação de texto vai ver que não há defesa alguma do cara aí. Agora, vamos ao artigo…
 

por Rookh Kshatriya

De acordo com Karl Marx, as massas nas sociedades capitalistas são coagidas pelo que ele chamava de “falsa consciência“. Segundo este ponto de vista, os explorados e oprimidos internalizam a visão de mundo da classe dominante, mesmo que isto acabe os prejudicando. Assim, os proletários norte americanos geralmente votam nos Republicanos, mesmo que isto resulte em poucas chances de mudanças para as pessoas de sua classe sócio econômica. De forma parecida, as classes baixas britânicas geralmente são defensores fanáticos da ordem social vigente, mesmo estando firmemente presos ao fundo dela. Neo marxistas como Antonio Gramsci alegavam que a complexa estrutura midiática nas sociedades ocidentais são as grandes responsáveis por manter a “falsa consciência” entre as massas.

Alguns pesquisadores se questionavam se a falsa consciência realmente existe. Um sociólogo britânico chamado Blackburn entrevistou um grande número de operários no norte da Inglaterra. Todos eles sabiam muito bem que eles estava sendo explorados por seus patrões, revelando assim nenhum sinal da “falsa consciência” proposta por Marx.

Entretanto, eu acredito que a falsa consciência está vivinha da silva. Ela apenas se transformou em algo diferente nesta era pós casamento: eu chamaria ela de falsa consciência sexual. Enquanto homens pobres tem uma relativa ideia concisa de sua situação econômica, eles agora sofrem de uma auto ilusão sexual. E isto é uma progressão lógica, já que o status nas sociedades ocidentais são expressadas atualmente através do sexo do que simplesmente de forma econômica. Esta mudança alterou o foco da falsa consciência da esfera econômica para a sexual, já que a esfera sexual se tornou mais importante. Na verdade, como o escritor britânico Colin Wilson nota, os desprivilegiados são a nova classe baixa, não importando qual seja sua situação econômica. Assim sendo, um médico formado que por algum motivo sofre de um celibato involuntário tem menos status que um marginal tatuado que mora numa favela, se este mesmo marginal tiver acesso abundante ao sexo.

Como todos sabemos, o mundo anglo americano é um pesadelo sexual para o homem. Mais da metade das americanas são gordas; a maioria das mulheres acima de 35 anos já “passaram da validade” do ponto de vista sexual; e as poucas mulheres realmente atraentes são “enjoadas“, irritantes e verdadeiramente interessadas em marginais do corredor da morte. O homem que deseja sexo com essas poucas mulheres tem que se esforçar muito para isto: estudar sedução, fazer musculação, comer direitinho – e como os caras do PUAHate argumentam, nem isso aí é garantia de nada. Assim, além de transar com vadias e perseguir mulheres estrangeiras, as opções sexuais para o anglo americano padrão é, basicamente, medonhas. Para começar, temos muito poucas mulheres aproveitáveis. E essas que são aproveitáveis geralmente detestam homens que não são “excitantes” (ou seja, psicopatas ou celebridades ricas).

Tirando essa realidade bizarra, a maioria dos anglo americanos parecem que vivem num mundo sexualmente farto. tendo sexo com modelos jovens quase todos os dias (ou pelo menos de acordo com o que eles afirmam). Até mesmo caras velhos e feios com empregos ruins dizem que fazem a mesma coisa, mesmo contra todas as evidências racionais.

Está é a falsa consciência sexual, resumidamente: um auto engano generalizado sobre suas chances, opções e conquistas sexuais. Os homens que sofrem deste mal são bastante onipresentes na anglosfera. Eles são particularmente comuns nas classes mais baixas, especialmente aqueles tipos que se casam com aquelas baleias horríveis. Se examinarmos suas afirmações objetivamente, de duas uma: ou eles estão mentindo descaradamente ou a pequena minoria de belas mulheres está fazendo sexo com milhares de homens diferentes todos os dias.

A falsa consciência tem um objetivo. Ela ilude a massa para fazê-la acreditar que eles vivem em mansões, e não num barraco; que eles dirigem Maseratis, e não Volkswagens. De forma similar, a falsa consciência sexual faz com que homens casados com tranqueiras acreditem que eles transam com modelos lindas de 18 anos; ou ilude celibatários que tais escapadas são uma possibilidade real. E assim tais caras vão cambaleando em suas vidas desprovidas de todo prospecto sexual, deixando o capitalismo corporativo alheio aos trabalhadores e consumidores.

O recente caso de Elliot Rodger mostra o que acontece quando a falsa consciência sexual se quebra, ou falha em se formar na verdade. Ao invés de embeber sua mente em ilusões idiotas, Rodger confrontava seu celibato a todo momento. Ao invés de ser considerado “louco” ou “insano” por causa disto, na verdade ele era bem mais “pé no chão”: até mais “são”, na verdade, que esses caras presos numa falsa consciência sexual.

A única insanidade de Rodger envolvia sua aceitação cega do puritanismo anglo americano, que limitava seu mundo psico social. Com o dinheiro que possuía, ele poderia facilmente ter contratado um pelotão de prostitutas siliconadas que dariam todo o conforto sexual que ele desejasse. Ou melhor ainda, ele poderia ter viajado pelo mundo, indo a países estrangeiros onde as mulheres são mais magras, bonitas, menos “enjoadas” e francamente, menos racistas.

Uma situação onde todos sairiam ganhando.

fonte: http://kshatriya-anglobitch.blogspot.com.br/2014/05/marx-and-rodgers-rise-of-anglo-american.html

Comentário: parando para pensar, você pode muito bem ver essa “falsa consciência” em ação naqueles chamados “besteiróis” (ex: série American Pie) onde a vida dos caras (mesmo os mais nerds e fudidos) basicamente é sexo abundante com belas mulheres. O que sabemos todos que dificilmente tal coisa aconteceria na vida real. No Brasil talvez um representante disso seria os famosos comerciais de cerveja, que vão numa pegada parecida a esta.

Será que no fim, esse tipo de coisa seria o tal “ópio das massas”, como o mesmo Karl Marx diria? É um bom assunto para se refletir…

8 comentários

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  1. Andirá.

    “As coisas não estão muito boas para o homem comum não…” Nem pro homem comum e nem pros destacados. Recentemente, houve uma forte especulação de que Kaká estaria separado da mulher, e que foi ela quem quis a separação. Se o Kaká, com a grana que tem e sendo boa pinta levou cartão vermelho da mulher, imagine só a punição aplicada ao cidadão comum? Vai é ser banido do “esporte”!

  2. Jonyway

    A falsa consciência é compensar a ausência real ou potencial da coisa desejada. Isso é mister para aqueles que sentem a necessidade de fazer parte do mundo social em que vivem, mesmo que isso não reflita a realidade e os fatos.

    Como você mesmo acrescentou, Búfalo, não é somente no mundo sexual que isso ocorre. Os homens são seres extremamente sociais. O ego se dissolve na necessidade de serem vistos e de compartilharem emoções, acontecimentos (mesmo que irreais), momentos (igualmente), opiniões. A interação é mais importante que uma história real. Ser visto é mais importante que viver os fatos como são.

    Na seara sexual isso ocorre com abundância. Sabemos que o homem “inferior” é massacrado pelo sistema e ele não vê outra alternativa senão enganar-se. Seja para se dar bem com outros homens (necessidade de aceitação), seja para criar um outro mundo paralelo, irreal, mas capaz de entusiasmá-lo momentaneamente.

    1. Barãozin

      Sim, boa observação. Tanto q o próximo artigo dele (já está traduzido) irá abordar mais esse ponto social.

    2. Punisher

      E vem daí o sucesso das famigeradas “redes sociais”, onde todos fingem uma felicidade mais falsa que uísque paraguaio. Realidade? Fatos? Pfff… o negócio é ostentar, manolo!

      Falando nisso, talvez esteja aí também o sucesso dessa praga infernal chamada “funk ostentação”, no qual o cara comum emula o marginal, o “vida loka”, cheio de correntes, tatuagens e boné aba reta, tudo na expectativa e na esperança de agradar as “princesas”.

  3. Charlton H. Hauer

    Há um grande artigo do Adam Kostakis que retrata de uma maneira diferente a “falsa consciência” de Marx e Engels: http://sexoprivilegiado.blogspot.com.br/2013/07/falsa-consciencia-e-manipulacao-kafka.html

  4. Rocky

    Acho interessante falar sobre a cultura ”puritanismo anglo americano,” lembrando que nem nos meios religiosos o homem estará livre de enfrentar o “lado obscuro” da mulher.

    O que mais vejo na congregação onde as vezes frequento é mãe solteira com cara de cú que te enxerga como lixo, lésbicas que colocam selfie na net beijando sua “namorada”, Ex prostitutas loucas para arranjar um otário para casar mesmo estando gorda, feia.

    Mas tem um detalhe… seu carrinho tem que ser no mínimo um mercedes para sequer “conversar” com a princesa, por que senão ela nem olha na sua cara. “crentes” que vão de moto ou bike mesmo… coitado! Tem uns lá que estão com 60 anos e estão solteiros a décadas.

    Tem vários casos de separação tbm. O silvio fez uma tradução da michelle Langley sobre como as mulheres não são monogâmicas, que tem um ciclo de 4 anos para cada homem que ele encontra…
    pois é! Parece que essa teoria tbm se aplica as “puritanas” que tenho conhecimento.

    As coisas não estão muito boas para o homem comum não…

    1. Marcelo

      “As coisas não estão muito boas para o homem comum não…” para todos os homens,se elas sempre focam nos mais destacados,muito provavelmente eles estão mais “ferrados” que nós homens “comuns”( em relacionamentos).Tanto cara cheio da grana se ferrando na mão delas.

  5. Bufalo Silverino Reprodutor

    boa, lembrando que essa falsa consciência não se estende somente ao campo sexual.

    O homem médio enxerga uma realidade completamente diferente do que ela realmente é.

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