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abr 28 2014

Usando o conceito de “fireteam” como modelo de ativismo político

fireteam* obs 1: no Exército Brasileiro, o equivalente para “fireteam” seria a esquadra, que seria a menor fração de combate existente que é composta por 4 soldados. Como não sei se o conceito do “fireteam” é igual ao da esquadra brasileira, eu irei manter como “fireteam” mesmo.

* obs 2: este artigo é um complemento ao artigo Times contra rebanhos

por W. F. Price, do The-Spearhead.com

Para fazer com que as coisas sejam feitas, pelo menos em nível local, temos que começar com times pequenos, e taticamente ágeis que seriam semelhantes a menor unidade militar americana: o “fireteam”. A infantaria dos Fuzileiros Navais e do Exército americano tem sua base no “fireteam”, que é composta por 4 soldados. Cada soldado no time tem seu papel, incluindo um fuzileiro, um granadeiro, um metralhador e um tanto um líder desta equipe ou um auxiliar do metralhador, dependendo se for uma composição de fuzileiros navais ou do Exército.

Os “fireteams” foram desenvolvidos em resposta as necessidades criadas nas guerras de trincheiras da 1ª Guerra Mundial. Táticas de ataque em massa, que eram a norma por séculos, não funcionavam a contento na era da metralhadora, então os exércitos começaram a experimentar grupos menores de soldados que poderiam atacar de forma mais deliberada. Os alemães foram os primeiros a implementar uma nova forma de ataque, conhecida como “táticas de infiltração” na época. Unidades especiais de “tropas de choque” foram criadas para tal propósito, e os alemães começaram a aplicar tais táticas no front oriental. Elas se provaram efetivas, e foram usadas na Operação Michael, a última ofensiva alemã da guerra.

A Operação Michael de começo foi bem sucedida, rompendo o empate da guerra de trincheiras dos primeiros anos de guerra, mas assim que as tropas americanas chegaram para reforçar os Aliados e a pandemia da gripe espanhola se alastrou, a ofensiva empacou e os aliados eventualmente ganharam vantagem dada seu maior efetivo e suporte logístico. Entretanto, mesmo tendo falhando em vencer a guerra, tais tropas de choque revolucionaram o combate de infantaria, e suas táticas foram adotadas pelos exércitos modernos, evoluindo até chegar aos contemporâneos “fireteams”.

Talvez a vantagem mais importante da tática de infiltração é que ela permitia que unidades mais bem treinadas e engajadas evitassem de criar um caos e matança desnecessárias, por ignorar o combate direto e atacando objetivos mais significativos na retaguarda inimiga. Outra vantagem, citada pelo ex senador americano  Jim Webb em um artigo de 1972, é que os “fireteams” são muito mais coesos, manobráveis e flexíveis que um “grupo de 12 homens”:

No início da 2ª Guerra, uma esquadra de fuzileiros navais era composta por 12 soldados, sem nenhuma organização interna em particular. Tal organização literalmente ficou sob fogo já no início daquela guerra, já que ela se mostrou imensamente complicada para um líder de esquadra manter o controle de 11 soldados ao mesmo tempo. Portanto, depois várias tentativas para retificar a situação, nossa atual organização por “fireteams” foi instituida em 1944. Ela tem várias vantagens sobre o antigo sistema, e foi largamente elogiada por seu “conceito triangular” que oferece o máximo de controle, maneabilidade e poder de fogo. Na verdade, quando comparamos ao “grupo de 12 homens” as vantagens nestas áreas eram gritantes:

* controle. Talvez esta seja a maior vantagem do novo sistema, já que o líder de esquadra tem agora 3 líderes subordinados em sua esfera de controle, ao invés de 11 homens. Isto produziu uma supervisão mais efetiva;

* maneabilidade. Com a criação do “fireteam” de 4 homens, uma unidade tática menor capaz de manobras independentes evoluiu. Isto serviu para eliminar o impulso do momento do tipo “você aí, pegue o Smith e o Jones e vão até ali” e ostensivamente deu a luz a um elemento de manobra genuíno abaixo do nível de esquadrão;

* poder de fogo. O “fireteam” foi criado para usar a máxima capacidade do Fuzil Autimático Browning (BAR). Na verdade, todo o conceito de “fireteam” foi construído em redor do BAR, que provia o núcleo do poder de fogo do time. As formações de “fireteams” eram designadas a proteger o metralhador, e um fuzileiro era designado em sua missão secundária para ajudar o metralhador em encontrar alvos e recarregar a metralhadora.

Tudo o que está acima é pertinente aos nossos esforços em relação ao ativismo, já que mesmo que não temos que enfrentar fogo de artilharia ou de metralhadoras, enfrentar um sistema entrincheirado como existem em nossas cortes e no governo é semelhante a tentar cruzar a “terra de ninguém“. Assim como nosso sistema político está crescendo de forma cada vez mais complexa e refinada, meros grupelhos não podem mais alcançar objetivos importantes, como um ataque em massa de infantaria não podia avançar em face ao fogo preciso das armas automáticas da 1ª Guerra. Ao contrário, temos que nos infiltrar e focar nosso poder de fogo em alvos de alto valor estratégico enquanto fazemos o nosso melhor para evitar se engajar no tipo de ativismo político inútil que só nos atolaria na lama.

Para poder realizar isto, eu proponho um “fireteam” político com uma organização semelhante ao “fireteam” dos fuzileiros  navais americanos. Precisamos de um pequeno grupo de 2 a 5 caras – de preferência 4 – trabalhando em conjunto para alcançar objetivos específicos. Cada homem tem um papel definido, e cada um deles pode assumir o papel de líder tático.

Aqui está uma composição do time ativista que proponho:

1 – um administrador: um organizador e tomador de decisões táticas, que serviria como líder;

2 – um investigador: faria pesquisas, investigações e a segurança do time;

3 – um comunicador: produziria material escrito, se comunicaria com as pessoas, faria propaganda e criaria mídia;

4 – um técnico: cuidaria das questões técnicas, como internet, aúdio e vídeo, publicação, fotografia, etc.

E num nível ainda menor, eu colocaria o administrador e o investigador e o comunicador e o técnico em dois times separados.

A beleza de tal conceito é que ele é simples e poderia criar um bom resultado usando pouco tempo e esforço. Se um dos integrantes mantém a par dos objetivos, um cuida da pesquisa, um cria conteúdo e outro cuida da tecnologia envolvida, poucas horas de serviço de cada um toda a semana poderiam criar um impacto significativo. Seria muito mais efetivo que apenas um homem fazendo todo esse trabalho sozinho, e infinitamente mais efetivo que um grupo aparecendo do nada em alguma esquina, fazendo barulho e depois indo embora.

Além do mais, pode ser um projeto agradável. O time poderia se encontrar a cada semana ou duas e discutir e decidir os próximos passos, e após tomar uma cervejinha. Outra vantagem é que a pressão em cima da liderança seria baixa. Se o “líder” é simplesmente o cara que tem que organizar os esforços e manter nota do que está sendo feito, isto não causaria rivalidades internas. Basicamente, todos estariam fazendo seu próprio trabalho e o espírito seria de cooperação, ao invés de dominância. Na verdade, nem importaria quem seria o líder, já que qualquer um deles poderia assumir este papel se preciso e fosse capaz. Isto é o ambiente de trabalho masculino ideal.

Enquanto eu não tenho certeza o quão fácil seria criar grupos de 4 homens, seria bem mais fácil do que tentar coordenar conferências nacionais ou tentar organizar pessoas em encontros públicos mal organizados para fazer alguma coisa efetiva. Nas grandes áreas metropolitanas, não seria difícil de encontrar pessoal qualificado para isto. O mais perto geograficamente que os membros estivessem melhor, mas os problemas de distância podem ser superados com tecnologia e com pessoas com um senso de compromisso maior que o comum.

O talento pode ser um problema, mas um membro relativamente talentoso num time de 4 pessoas pode ser suficiente, desde que os outros façam seu trabalho. Isto é um dos maiores pontos positivos de um time: eles podem liberar o mais forte do time de tarefas menores, fazendo com que seu poder de fogo não seja diluído, mas melhorado.

fonte: http://www.the-spearhead.com/2014/04/07/using-the-fireteam-as-the-model-for-political-activism/

3 comentários

  1. Juan Lucas

    Grande idéia…

  2. Mun Rá

    Poderíamos começar tentando criar leis contra a aberração das pensões “alimentícias” que de alimentícia não tem nada. Feministas só querem direitos mas esquecem das responsabilidades. Botar filho no mundo e viver de pensão virou negócio hoje em dia.

  3. Charlton H. Hauer

    É uma excelente idéia. Eu sempre pensei nisso. Uma espécie de “coalizão”. Mas não uma coalizão qualquer. Uma coalizão que tivesse uma composição como a que o W. F. Price sugere. Mas para isso é preciso querer fazer parte, e formar um grupo com uma heterogeneidade não muito exacerbada.

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