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abr 21 2014

Cãezinhos: a companhia na estrada da extinção

cachorrinhopor W. F. Price, do The-Spearhead.com

Com as taxas de natalidade das americanas só caindo, a companhia de pequenos cães acabou se tornando normal nos centros urbanos americanos.

A próxima geração de jovens americanos deveria se chamar “geração Rex”.

Se você se pergunta porque os parques municipais andam tão quietos e cada vez se vê mais cachorros, uma nova pesquisa tem a resposta: cada vez mais as americanas estão ignorando a maternidade e voltando seu instinto maternal para as pequenas raças de cães.

Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças nos mostram que a grande queda no número de crianças nascidas de mulheres com idades entre 15 e 29 anos  se correspondem com um grande aumento no número de cachorrinhos pertencidos as jovens americanas, diz o site Quartz.

Cidadãs novaiorquinas fanáticas por cachorros disseram ao The Post que elas não se surpreendem com o resultado – e que elas estão trocando sem pestanejar a troca de fraldas, birras infantis e a economia de recursos para a faculdade dos filos pela fácil afeição de seus “filhos” caninos.

[…]

Os dados federais por trás da pesquisa mostram que nos últimos 7 anos, o número de de nascidos vivos de mulheres entre 15 e 29 anos nos EUA caiu 9%.

Ao mesmo tempo, uma pesquisa da “American Pet Products Association” mostra que o número de pequenos cães – abaixo dos 11 kg – nos Estados Unidos disparou de 34,1 milhões em 2008 para 40,8 milhões em 2012.

Eu posso confirmar que há mais cães do que crianças nos parques urbanos. Toda tarde e durante os fins de semana, as pessoas saem com seus cães no parque que fica perto de minha casa. Há um parquinho num lado do parque e uma área para cães na outra. Os cães superam as crianças em média de 4 a cada 1, talvez mais. Eu costumava levar meus filhos para brincar no parque regularmente, e minha filha – então com 2 anos – ficava aterrorizada com os cachorros que seus donos irresponsáveis deixavam correr livremente pelo parque. Em algumas ocasiões, eu tive que discutir com as pessoas sobre isto, mas geralmente a resposta dada era algo como “se sua filha tem medo de cachorro, talvez você não devesse trazer ela aqui.”

Então, há pelo menos uma coisa boa nesta questão dos cãezinhos: esses cachorrinhos são menos perigosos e assustam menos as crianças. Eu devo admitir que eu não gosto muito de cachorro. Eu desenvolvi uma certa antipatia contra cães, já que cresci as margens de uma periferia. Lá nos idos de 1980, as pessoas não pensavam duas vezes em manter cães de guarda em suas casas, e muitos largavam seus animais andando a solta pela vizinhança. Alguns desses cães eram verdadeiras bestas feras. Eu estava convencido que um rottweiler do vizinho estava querendo me matar, e eu não estava exagerando ao achar isto. Toda vez que eu andava de bicicleta e passava em frente a casa onde ele estava o monstro se jogava contra a cerca com toda a força.

Mas tais animais serviam para algo diferente destes cãezinhos. Mesmo que eu os odeie, eu tenho que admitir que eles eram úteis; é bem difícil você invadir uma casa guardada por um rottweiler raivoso.

Tirando o fato que estes pequenos cães não são assustadores como os cachorrões que conheci quando criança, ambos os animais dizem algo desconfortável sobre a vizinhança. No passado, os cães sugeriam que a “quebrada” era violenta; hoje em dia, os cãezinhos sugerem que as crianças são um inconveniente. Não há outra conclusão que se pode chegar quando se vê que os cães são dominantes e enquanto as crianças são poucas.

Será que os cães trazem tanta felicidade para suas donas quanto crianças? Talvez não, mas se as mulheres entrevistadas para a reportagem servirem de indicativo, talvez eles gerem uma quantidade suficiente de felicidade. O cachorrinho de madame talvez seja a maneira mais humana de facilitar a corrida dos brancos de classe média rumo a extinção. sem filhos ou netos, legiões de cãezinhos serão necessários para aliviar o que será uma vida solitária. Talvez algum dia no futuro, quando todos se forem, as pessoas que estiverem vivendo no que hoje é os EUA podem até mesmo erguer uma estátua em sua memória: a estátua de uma mulher com um iphone na mão, uma bolsa em outra e um cachorrinho do seu lado, andando alegremente para o grande desconhecido.

fonte: http://www.the-spearhead.com/2014/04/11/small-dogs-companions-on-the-road-to-extinction/

2 comentários

  1. Marcelo

    Pra mim, as pessoas que dizem ‘gostar mais dos animais do que dos humanos’ são frustradas em seus relacionamentos pessoais (em todos os níveis), e se refugiam nos pets porque neles têm a oportunidade de despejarem suas frustrações sem serem contrariadas, bem como exercer sobre eles domínio e autoridade com mais facilidade do que em um humano.

    Se você disser a um cão: ‘senta’, ele vai sentar-se; mas se disser a mesma coisa a uma criança ela pode até obedecer mas pode também desobedecer e ainda lhe dar uma resposta bem mal-criada e insolente. Pergunto: é mais fácil criar cães ou crianças? É óbvio que todos sabem a resposta…

    Animais não brigam com você, não discutem a relação, não lhe enchem o saco nas horas detestáveis… Se isso é bom pra quem cria, para os bichinhos pode não ser pois, na ânsia de inserir o animal no cotidiano humano, os donos acabam negligenciando a própria natureza de seus animais, que passam a não gostar de se relacionar com outros de sua espécie e muitas vezes reproduzem as frustrações, os stress e as tensões a que seus donos os submetem.

    Quem gosta de criar animais tem que entender que eles nunca, em tempo algum, serão substitutos da companhia humana. Eles devem ser respeitados em sua natureza, e nunca forçados a comportar-se como se fossem humanos ou brinquedinhos particulares de seus donos…

  2. Robson

    Cara, genial o texto.
    Eu lido com essas madames com cachorrinhos no colo ou de ‘sapatinhos’. São uns horrores, tanto elas quanto os cachorrinhos, pois estes se tornam uma espécie humana híbirida, uns verdadeiros bostinhas neuróticos narcisistas mimadinhos e cheios de tric tric. E o pior é que os próprios donos tem muito pouca noção de como eles, os tão amados cãezinhos sofrem, pois muitas vezes ficam horas num sol de rachar, presos em coleiras e sedentos. Já vi muita perua falando horas no celular e o seu cachorrinho fritando num maçarico africano.

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