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jun 04 2013

A histeria do estupro – o retorno

negro* traduzido por Durga, do Fórum do Búfalo

por Carey Roberts

Você pode imaginar o governo alemão emitindo um pedido formal de desculpas pelas atrocidades cometidas pelos nazistas, mas, em seguida, deixando de fora o fato de que os judeus foram as principais vítimas?

Em 2005, o Senado dos EUA pediu desculpas por seus fracassos anteriores na aprovação da legislação anti-linchamento. A resolução foi apoiada pelos senadores liberais, como Mary Landrieu de Louisiana, Joe Biden do Delaware, entre outros. (NT: o texto foi escrito em 2005, quando Joe Biden ainda era senador)

O pedido de desculpas observa que “pelo menos 4.742 pessoas, predominantemente afro-Americanos, foram linchados nos Estados Unidos entre 1882 e 1968.”

A resolução é bem-intencionada, mas encobriu um fato essencial: praticamente todas as vítimas eram do sexo masculino, muitas das quais foram acusadas ​​de abusar de mulheres brancas.

Não poucos homens foram sumariamente arrastados pela multidão e enforcados em uma árvore. Uma vez que a multidão se reunia, esses homens eram despojados de suas roupas e sua dignidade. Muitos tiveram seus corpos crivados de balas. Nos casos mais terríveis, tais homens eram queimados vivos numa fogueira.

A histeria que cercava esses incidentes foi alimentada pelas manchetes sensacionalistas que falavam sobre as “grandes bestas negras” e os “monstros em forma humana.” Artigos de jornal destacavam caricaturas de homens negros com apetite sexual insaciável por virgens brancas. Como Philip Dray observa em seu livro “At the Hands of Persons Unknown“, “a impressão acumulada foi que o mundo era estragado pelos negros“.

O medo de predadores sexuais masculinos atingiu o auge durante a primeira parte do século passado. Em 1910, o Congresso aprovou a Lei contra o tráfico de escravos brancos, que proibia o transporte interestadual de mulheres brancas “para fins de prostituição ou fins devassos, ou para qualquer outro propósito imoral“.

Essa lei foi utilizada para processar o campeão de boxea Jack Johnson, que levou sua namorada branca, Lucille Cameron, para Chicago supostamente por “fins imorais.” Mesmo que os dois logo se casassem, Johnson foi condenado em 1913, mas fugiu para a Europa a fim de evitar cumprir pena por um crime que ele sabia que não tinha cometido.

A histeria do estupro tornou-se um dos pontos mais inflamados nos  problemas mais amplos de relações raciais da América. Essas relações atingiram o seu ponto mais baixo durante o Verão Vermelho de 1919, quando eclodiram motins raciais em mais de 20 cidades dos EUA.

Em Washington DC, a notícia do assédio sexual à esposa de um oficial acionou a fúria de centenas de marinheiros uniformizados e de soldados que perseguiram e bateram nos homens negros que encontravam pela frente, tudo isso perante o edifício do Capitólio dos EUA. O tal estupro mais tarde acabou por ser revelado como um trote.

O assassinato de homens negros inocentes continuou assim por muitos anos.

Um desses inocentes era Emmett Till, que um dia foi até uma mercearia em Mississipi. Apenas por diversão, ele pegou na mão da caixa, uma bela jovem chamada Carolyn Bryant, e perguntou “Que tal um encontro,baby?” A srta. Bryant ficou ofendida com a insinuação e o caso logo alcançou os ouvidos de seu marido.

Uma semana depois, o corpo mutilado de Emmett Till flutuava à superfície do rio Tallahatchie. Ele havia sido baleado na têmpora direita e seu crânio tinha sido golpeado com um machado.

Isso foi em agosto de 1955. Emmett Till tinha 14 anos de idade.

Em 1991, Clarence Thomas foi nomeado para o Supremo Tribunal. Ele assumiu o cargo tendo como base uma graduação na Yale Law School (Uma das melhores – se não a melhor – escolas de Direito dos EUA) e sua ampla experiência legal. Mas então ele foi emboscado por Anita Hill, que alegou que Thomas tinha feito observações sexualmente inapropriadas para ela vários anos antes.

Sofrendo sob a alegação, Thomas se queixou ao Comitê Judiciário do Senado que ele foi vítima de “um linchamento moderno”. O sr. Thomas dizia que o medo da sexualidade masculina que alimentou o linchamento de homens negros décadas antes era a mesma histeria que agora levava as pessoas a indignar-se sobre alegação de Anita Hill.

Em 9 de junho de 2005 o senador Joe Biden introduziu a Lei da Violência Contra a Mulher, um projeto de lei que visa impedir abusos sexuais e físicos das mulheres. A leitura da proposta da lei descreve um mundo que foi estragado pelos próprios homens. Infelizmente, a lei apela para os mesmos instintos cavalheirescos dos tempos que o fanatismo em torno feminilidade virtuosa varreu o nosso país há mais de um século.

Apenas quatro dias depois, em 13 de junho, o Senado expressou suas “mais profundas condolências e o seu solene pesar” para com as vítimas de linchamento do passado e seus descendentes.

E por que a resolução do Senado se esquece de mencionar os homens em seu pedido de desculpas?

Porque a última coisa que o (então) presidenciável Biden quer é que as pessoas a tracem paralelos históricos entre a Lei da Violência Contra a Mulher, que prenuncia a redução em larga escala das liberdades civis dos homens, e as injustiças que se abateram contra gerações de homens negros que foram indevidamente acusados no passado.

fonte: http://www.renewamerica.com/columns/roberts/050816

11 comentários

1 menção

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  1. Cristhian Matheus

    Tenha alguém da sua família estuprada pra você querer que ele sofra as penas da lei, mesmo sabendo que essa LEI é uma merda? Ao contrário do que se disse num comentário ae, não se espanca um estuprador pra fazer charme pra mulher, se espanca por que é REVOLTANTE irmão! Quando tu olha alguém que tu conhece e que foi estuprada, tu vai saber o que é ódio, vai ter vontade de espancar o cara até a morte e também vai saber que entregá-lo a polícia não vai resultar em nada. Desde quando deixar alguém preso resolve algo?
    Prenda um cachorro furioso e depois o solte, vê se ele vai ficar bonzinho?

    1. Barãozin

      É mais pra se aparecer sim.

      Veja. Não vejo essa mesma revolta qdo se mata um cara.

      Vai me dizer que a morte de um cara é menos revoltante que um estupro?

      Não nego jamais a gravidade do estupro. Mas boa parte da reação contra ele é mais manginagem dos caras querendo se mostrar…

  2. Drakonian

    O manginão do Dapena fica apoiando mi mi mis feminazista e isso as torna ainda mais mimadas e insuportáveis do que naturalmente já são…
    O manezão levou um processo no meio do rabo requerido por mulheres atéias…chupa essa manga otário !

  3. Observador

    Tá, entao esses linchados eram estupradores? Bem eu acho que deveriam mais é que se foder.

    1. Barãozin

      Não.

      Muitos deles simplesmente pagaram o pato por causa de alguma dondoca enjoada. Ou ela liberou pra algum negão e ficou com vergonha de ser tirada de vadia pela sociedade e inventou q o cara na vdd a estuprou, ou como num dos exemplos citados o cara só jogou uma cantadinha boba, ela não gosta e pra se vingar bota os cavaleiros brancos pra bater no coitado.

      E eu nem acho q estuprador deva apanhar. Isso é barbarismo. Se realmente for provado q ele cometeu o crime ele deve receber a força da lei na cabeça dele e ficar uns bons anos preso, e não ser linchado sem julgamento por um bando de imbecis q querem se mostrar “cavalheiros” pra mulherada aplaudir.

      1. Fernando

        Veja aqui Barão um exemplo de estuprador que foi morto por cavaleiros brancos e por coincidência ainda e negro.

  4. Don Corleone

    Ei, não vamos esquecer de programas sensacionalistas como o Brasil Urgente. Aquele Datena volta e meia sai gritando que é preciso tomar uma providência em relação a violência contra as mulheres, sendo que as notícias de maior destaque geralmente são de homens que agrediram mulheres. Esquece que esses casos representam uma ínfima parte de toda a violência aqui no Brasil, mas o programa dá a entender que essa violência é epidêmica. E agora vou relatar aqui como essa propaganda por parte dos manginas e das feminazis funciona mesmo. Falando esses dias com minha irmã sobre violência e tal, de repente ela começou a falar de como tem medo de homens estranhos porque sempre vê casos de homens agredindo e matando mulheres no noticiário. Ela nem se tocou que aqui na nossa cidade casos de estupros e ataques contra mulheres são raríssimos, estupro então é mais difícil de acontecer do que eu ganhar na mega sena. Claro, eu percebo essa manipulação porque já não acredito no mito das mulheres oprimidas pelo patriarcado mas eu fico imaginando todo o resto da população sofrendo esse bombardeio, o que resultará disso tudo? mais leis e mais regulamentos contra o homem. Idiotas úteis como o Datena são aplaudidos de pé pelas feministas.

    1. Pedro

      Datena ou (Dápena) é daqueles idiotas uteis que tem esperanca de que puxando o saco da esquerda podem conseguir alguma boquinha. Ele mora em alphaville nume mansão e tem um quadro do che-guevara… precisa falar mais?

  5. Renato

    Interessante,as mulheres nessa época racistas e mentirosas assim como os homens foram diretamente responsáveis pela morte de vários negros inocentes E O MOVIMENTO FEMINISTA IGNORA ISSO,A MÍDIA IGNORA ISSO,prefere dizer que foram SÓ os homens que fizeram isso.
    .
    Esses homens,idiotas e crente em suas mulheres,foram levados ao erro,misture isso ao racismo vigente e ao ódio e intolerância e você tem um barril de pólvora prestes a explodir.
    As mulheres sabiam bem disso e não estavam nem aí,muitas traíram seus maridos de maneira consensual com outro homem branco ou negro e quando questionadas BOTAVAM A CULPA NOS NEGROS,DIZIAM QUE FORAM ESTUPRADAS…..
    .
    Tudo para não assumir a sua responsabilidade e suas sacanagens,se faziam de vitimas e foda-se os negros,não estavam nem aí para eles,o importante era salvar a reputação dela.
    E hoje não é diferente,quantas acusações falsas de estupro ainda existem?? motivadas por raiva,abandono,frustração e etc…? a diferença é que hoje isso não se restringe mais ao homem negro,todos nós estamos sujeitos a isso…..
    .
    É capaz do movimento feminista dizer que “foram os homens que obrigavam as mulheres a falarem isso”……..

  6. Andrew

    Há nos Estados Unidos,uma senhora (não me recordo o nome) que era uma professora branca, de olhos azuis, do primário na época em que mataram o Martin Luther King. E essa professora se deparou com uma pergunta, de uma das crianças, que disse o porque de terem matado aquele homem. Ela não respondeu o porquê. Ela mostrou. Então colocou um colar de pano nas crianças que tinham olhos azuis e começou a tratá-las como crianças negras. Imagina isso no final dos anos 60! Claro que as crianças falaram para os pais, que ficaram indignados.

    Mas por incrível que pareça aquelas crianças cresceram e se tornaram pessoas de bem e conscientes de que aquilo havia sido feito para torná-las melhores como cidadães e como pessoas. A pouco tempo atrás fizeram um documentário com essa senhora e fizeram um especial que passou em algum canal de televisão.(Não recordo qual.) Onde ela pegava alguns voluntários entre brancos e negros e pessoas de olhos azuis, colocava um colar nas brancas, especialmente com os que tinham olhos azuis e começava a tratá-las como negros. Os negros na sala ficavam observando os brancos sendo tratados como eles sempre foram.

    Falavam com os adultos como se fossem crianças. Falava a todo tempo: “What’s your problem, boy?” Falava arrogantemente com os de olhos azuis. Muitas pessoas saiam revoltadas e as mulheres choravam. Bom, essa mulher (se alguém souber do que estou falando, por favor, me ajudem, pois não me recordo do nome dela) foi tratada com muita discriminação. Mas o que eu quero dizer com tudo isso é que houve uma garota que ficou muito indignada com esse experimento que começou a chorar e gritar pra todos na sala: “Desculpa pelo que fizemos para vocês no passado. Desculpa!”. A professora irritou-se, apontou o dedo e gritou de volta: ” Não ouse pedir desculpas! Não ouse. Quem é você para pedir desculpas? Muitos homens e mulheres morreram e não será você, uma pobre garota branca que não sabe de nada, achar que vai mudar esse fato com desculpas! Saia daqui!” – foi mais ou menos assim esse diálogo.

    Bom, é o que eu acho sobre essas desculpas. Desculpas de nada adiantam agora. Desculpas não ensinam pessoas. Não ensinam os garotos que crescem depressivos se achando um bosta total. Não salvaram o rapaz que teve a cabeça aberta com machados. Desculpas não vai aliviar daqui à alguns anos. É preciso ensinar.O que o governo obviamente não sabe fazer. Nem o governo e nem a família. Lamentável. E assim vamos ficar a merce das feminazes, que são apoiadas por manginas e CSP (Capitão Salva Puta).

    Lembro de ter lido uma reportagem no site do terra sobre o pastor que estuprou as “crentes”, que segundo elas:”Já vinha ocorrendo há muitos anos!” – Bom, a reportagem acaba com o cara. Dizia que o cara é um monstro estuprador. Detonava geral. É claro que, se o cara realmente fez isso ele tem que pagar e se fuder na cadeia, mas eu comentei algo mais ou menos assim: “Será que o terra poderia colocar uma reportagem falando sobre as provas encontradas? Pois não vi nenhuma prova sendo mencionada. Só xingamentos e apontamentos!” Levei alguns pontos positivos e outros tantos negativos pelo comentário. Um cara falou que eu era do PCC. Não entendi a relação.

    1. Barãozin

      Muito interessante este adendo, obrigado.

      Essa última parte também não saquei… o q q tem a ver apontar q não foram mostradas provas concretas e tu ser do pcc?!

  1. "Quase todos negros linchados eram homens acusados de estuprar brancas." « Notícias

    […] – Barãozin, “A Histeria do Estupro, o retorno” (tradução), Canal do Búfalo, 6.04.2013. http://canal.bufalo.info/2013/06/a-histeria-do-estupro-o-retorno/ […]

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