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maio 20 2013

Desilusões da masculinidade

ampsycopor W. F. Price, do The-Spearhead.com

Assisti a um tempo atrás o filme American Psycho (Psicopata Americano, em português), que é baseado num livro escrito por Bret Easton Ellis. O filme é sobre descida à insanidade de um psicótico desiludido chamado Patrick Bateman, que pode ser tanto um serial killer de verdade ou que apenas imaginar ser um – a estória intencionalmente deixa isto vago. Temos algumas intrigas políticas curiosas cercando o livro e o filme, começando com o protesto da NOW (Organização Nacional das Mulheres) contra a publicação do livro pela Simon & Schuster (a editora Vintage acabou publicando o livro em 1991) dada a sua alegada natureza misógina, e tal protesto se deu também durante a produção do filme no ano 2000. Isto levou a um acordo onde a produção do filme teve que lidar tanto direta e indiretamente com feministas, que provavelmente foi aceito por Ellis para ele poder ter uma chance de ver sua história nos cinemas.

A diretora feminista Mary Harron e a roteirista lésbica Guinevere Turner colaboraram com a elaboração do roteiro. Harron dirigiu o filme e  Gloria Steinem fez um lobby em cima da situação para escolher quem interpretaria Patrick Bateman. No fim, Christian Bale ficou com o papel, logo na época em que Steinem se casou com o pai de Christian, David Bale. É inegável que a claque feminista teve grande papel na produção do filme, e isto pode ser notado no produto final. Mesmo que isto tenha mudado profundamente a natureza da história, o filme resultante tem seu valor como uma verdadeira janela para a psicologia feminista no que concerne ao homem.

Uma coisa que notei enquanto eu via o filme é uma grande semelhança com a série de tv Mad Men. A atenção às roupas bem cortadas e a aparência, a atmosfera corporativa uniforme e o comportamento insensível e sociopata dos homens do filme me lembrou muito a do personagem Don Draper (personagem principal do seriado Mad Men). Mad Men, que também foi produzido em sua maioria por mulheres, retrata o homem de forma muito semelhante a de American Psycho, ou seja, como meras bestas desalmadas movidas apenas pelo sua ganância e luxúria.

Eu não sou mulher, e apenas posso imaginar o que pode se passar na mente feminina. Então só posso especular como realmente a mulher vê o homem. Talvez isto seja um fenômeno isolado americano, mas entre as mulheres parece haver algo próximo de uma verdadeira adoração a este ideal masculino distorcido, e não acho que os homens no geral estão a par disto, já que eles estão preocupados demais com outro tipo de culto.

O filme inicia com um elegante e bastante afeminado jantar, , onde um homem impecavelmente vestido e barbeado da Pierce & Pierce faz piadinhas cruéis e politicamente incorretas enquanto manipula centenas de dólares e come animais exóticos. Eles são meras caricaturas de homens operando sobre um pano de fundo feminino do jantar elegante,  repleto de serviçais, peças de mesa requintadas e pratos e talheres artisticamente arranjados. Na próxima cena, Patrick Bateman segue em sua rotina diária, que inclui o uso de cremes cosméticos no corpo e no rosto, a pratica de exercícios para melhorar sua aparência e se barbeando para mais um dia de trabalho. Tal cena beira o pornográfico, com um Christian Bale nu, torneado e depilado sendo constantemente exibido na tela. Mais uma vez, o pano de fundo é distintamente feminino, com um belo banheiro, uma cabine de bronzeamento e um monte de cosméticos ao fundo. Alguém pode imaginar que Bateman, o assassino serial, representa tudo aquilo que uma mulher deseja.

Além de sua preocupação com a aparência, Bateman é obcecado com cantores pop da década de 1980, como Phil Collins e Whitney Houston. Quando ele não está obcecado com detalhes triviais e com a cultura comum, ele assassina pessoas e faz sexo, as vezes fazendo os dois ao mesmo tempo. Patrick não tem uma personalidade que se possa destacar, ou alguma humanidade. Suas emoções parecem se basear apenas em dois instintos básicos: um desejo pelo status e um insaciável desejo por sangue e sexo. Na narrativa, Bateman percebe que ele é de carne e osso, mas ele não está realmente ali. Ele pode ser sentido e visto, mas além do material não há nenhuma substância nele. Acredito que aqui é que encontramos a maior divergência entre a interpretação feminista e as verdadeiras intenções do autor original. Para as feministas, Bateman é o patriarcado; uma força inumana mecânica, totalmente desprovida de calor humano, mas que incorpora todos os desejos proibidos da mulher. Talvez temos aqui a história de Eva, com Bateman representando a Serpente, mas estranhamente Adão foi cortado desta narrativa.

Sempre comentamos no nosso site sobre os ideais vitorianos que tiveram um efeito profundo em nossa cultura. Geralmente falamos da pedestalização da mulher ocidental, e como isto nos levou a muitos dos problemas que temos que enfrentar atualmente. O ideal da mulher pura e casta, que não é real e nem humana, ainda permanece como um ícone cultural muito forte. NA verdade, quem vê de fora poderia sugerir que isto é um elemento da veneração religiosa inerente a este aspecto cultural. Muitos homens e mulheres estão discutindo tal aspecto da psique anglo saxã, mas temos outro lado do ideal vitoriano que geralmente ignoramos. Este é um complemento necessário e estou começando a entender que a mulher também tem uma visão idealizada do homem, que também é artificial e inumana como era a boneca vitoriana no pedestal que nos leva a relutar a encarar a mulher como um ser falho, como todo ser humano é.

Se algo nos oferece uma contraparte para a mulher no pedestal, é o homem bestializado, depravado e perigoso que é representado por Patrick Bateman. Sua natureza sombria, compulsivamente aquisitiva, violenta e sexualizada é o verdadeiro nêmesis, e também o consorte, do modelo assexuado de virtude e bondade que criamos como essência da feminilidade. Se Lucy Manette, a angelical heroína de “Tale of Two Cities”, obra de Charles Dickens, é o arquétipo da divindade feminina imaginado pelos artistas masculinos, então o Patrick Bateman de Mary Harron, o assassino sangrento e predador sexual voraz, é a divindade masculina imaginada pela artista feminina. Ele é insano, desalmado e diabólico, e é um ser mais demoníaco do que amaldiçoado, ele não é simplesmente um ser humano caído, está mais para algo que veio do inferno. Isto, de maneira curiosa e sexualmente invertida, é semelhante a relação Hindu entre Shiva e Kali.

Quanto mais nos aprofundamos no feminismo e em seus conceitos elementais, mais aparente fica que estamos lutando contra uma meta religião que está profundamente arraigada na psique anglo saxã. Talvez teremos que aceitar que nós, que divergimos disto, somos verdadeiros hereges que desafiamos os pilares que suportam o edifício de nossa como foi posta durante o século XX. Nós estamos, afinal, desafiando os conceitos fundamentais de nós mesmos como homens e mulheres, no qual sem eles teríamos que começar tudo de novo do zero. Talvez, seja nossa responsabilidade fazer algum esforço para criar um modelo substituto.  Mais e mais eu vejo o feminismo como um desafio para que nós homens fazermos alguma coisa do gênero, e neste ponto eu ainda não vejo uma alternativa.

fonte: http://www.the-spearhead.com/2009/12/18/delusions-of-masculinity/

9 comentários

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  1. romario borges

    Não assisti o filme,mas li o texto.O mais engraçado de tudo é que a conduta do personagem bate exatamente com as das mulheres mordenetes:

    – O cara é metrossexual,um homem comum não é assim nem fudendo
    – O cara é viciado em sangue e morte,o homem comum não é assim,agora veja as mulheres,são sadicas(em sua maioria) no entanto deixam isso oculto,tudo por emoções
    – Quanto a parte do sexo,o homem é viciado em sexo,mas por prazer,mulher “viciada em sexo” é só pelas emoções (igual ao personagem).

    Logo vemos que é como se as feminazi estivessem retratando a suas respectivas imagens no personagem,elas não veem que homem seja assim,elas é que são assim.O odio consiste no fato dos homens justamente não serem assim e dai elas não terem motivo para acusa-los.

  2. Brasileiro

    Barão, como bem sabemos, mulheres não gostam que homens exijam delas no grau que elas exigem deles, mas agora temos isto publicado no Face da Marcha das Vadias RJ em que reclamam de a revista Gloss e acusam a publicação de “machista” (a famosa acusação que serve para qualquer situação em que não se tenha argumento concreto para falar de algo).
    Note o que foi grifado. Na cabeça de quem postou, é machismo que:

    1) Um homem não goste de mulher fútil;

    2) Um homem prefira seios naturais;

    3) Um homem goste de mulher que seja humilde;

    4) Um homem não goste de mulher com muita produção e maquiagem pesada;

    5) Um homem não goste de mulher tímida ou que de repente não passe um esmalte nas unhas (tudo bem que aqui podemos considerar paspalhice, até porque a maioria dos homens só perceberia que a mulher usa esmalte quando está segurando a mão dela e nota que as unhas estão estranhamente lisas);

    6) Um homem não querer mulher materialista;

    7) Um homem não querer mulher que escreva errado;

    8) Um homem não querer que a mulher seja bêbada, use drogas ou fique falando de política (aqui podendo entender por falar de política partidária e ideologia marxista);

    9) Um homem barbado não querer mulher que não seja depilada (acusam também de incoerência);

    10) Um homem não querer mulher com o cabelo sujo (e, pior ainda, tentar dizer pela foto que a barba do cara estaria suja);

    11) Um homem não querer uma mulher que seja muito carente;

    12) Um homem querer uma mulher que demonstre claramente se está ou não atraída pelo cara (algo normal se pensarmos que brasileiras costumam atiçar para depois dizer que não é bem assim e que estão sendo mal entendidas).

    Não está grifado, mas você verá nos comentários que há mulheres reclamando do cara que falou que não gosta de mulher que esteja com bafo de comida, cigarro e tudo. Logo, na cabeça delas somos obrigados a aceitar inclusive essas coisas. Esquecem-se de que um homem pode descartar uma mulher da qual não goste sem falar uma palavra sequer e sem sinalizar qualquer razão e que essa é uma estratégia proposital justamente para não ficar ouvindo besteira por parte da mulher. Aliás, elas sequer notam que um dos poderes do homem está justamente na seleção silenciosa e que não externa motivos de por que passou ou não pelo crivo.
    Você também notará que só maria-exceção comenta, mas também notará que os homens que estão comentando, ainda que não possamos saber se chegaram alguma vez na vida a ler algo da Real, estão mandando umas pedradas certeiras. Há uns manginas, é verdade, fora umas donas que vêm com aquele papinho de “um dia você vai conhecer uma mulher fumante/bêbada/politizada/peluda/porca/materialista/que escreve errado/siliconada/(inclua aqui outros defeitos) e vai ficar com os quatro pneus arriados por ela” (aliás, fica a sugestão para que se fale dessa tática de intimidação, pois até hoje não a vi sendo esmiuçada como se deve). Porém, o importante é ver que boa parte dos caras só está falando o óbvio: seres humanos têm exigências para arranjar parceiros e, se mulheres exigem que os caras sejam de um determinado jeito, não podem reclamar de homens terem suas exigências.

    1. Barãozin

      Hmm… tá aí.

      Essa tática de intimidação nunca foi devidamente esmiuçada. E é uma q usam bastante no BR…

  3. andre

    mas uma vez o mito do homem bonzinho, honesto e exemplar é cuspido e vomitado por elas, são os cafas, bandidos, os piores que elas amam e dão a sua buceta a qualquer hora do dia, com direito a anal de brinde, é por isso e outras coisas que vejo mulher apenas como ração pro meu pinto, infelizmente tem muito otario ae que paga pau pra mulé, enquanto eles estão indo pro buraco, eu to só que invisto em min.
    enqunto esses manés estaum sonhando com uma mocinha virgem pura que ira aparecer na sua vida pra pude casa, elas estaum tendo fantasias com malandros, assassinos e todo tipo d e porcaria.

  4. Don Corleone

    Interessante o final do texto ao dizer que homens que discordam do estado atual das coisas são considerados hereges. No facebook eu costumo fazer ironias com aquelas postagens idióticas que as mulheres colocam, aquela megalomania toda de se acharem as merecedoras de honras e de acharem que os homens tem que ser merecedores das deusas mulheres; o que eu faço é pegar as postagens e simplesmente inverter a ordem do sexos. Pois bem, semana passada nós estavámos conversando na academia sobre relacionamentos e tal e a professora da academia me sai com essa: você deve odiar muito as mulheres, deve ser muito recalcado com elas! Me surpreendi e perguntei por quê? ela respondeu: você coloca aqueles posts valorizando os homens (claro, eu inverto os papéis) e falando das mulheres, como se as mulheres não prestassem e blá blá. Daí eu respondi: eu não odeio as mulheres, eu só faço um teste pra vocês verem como nós homens nos sentimos ao sermos bombardeados com mensagens de que nós não prestamos e que precisamos nos ajoelhar diante das mulheres; você reage desse jeito porque vocês mulheres não estão acostumadas ao contraditório, nunca alguém chega e desmascara as atitudes de vocês, por isso todo esse teu espanto com minhas postagens. Ela ficou quieta. Depois eu comecei a pensar e vi que precisaremos de muitos anos pra mudar essa mentalidade de homem culpado x mulher inocente. Vi também que como é difícil esboçar alguma reação, logo somos taxados de misóginos pelo simples fato de levantarmos a questão das coisas vistas pelo lado masculino

    1. Barãozin

      Geralmente esse silêncio fala mt.

      Vc toca nesse assunto e é impossível essas daí acharem q vc está errado, pq é a mais pura verdade! Mas como concordar com isso seria como ela assinar um atestado de monstrenga, ela tem é q ficar quieta…

      It’s a long way ahead…

      1. Andrew

        Eu fiz algo semelhante uma vez. Bem, estava cansado dessa porcaria de musica, conversa mole, do Roberto Carlos; “Esse cara sou eu!”. Estava me enchendo o saco o fato de uma garota, que eu conheci a alguns anos atrás em uma empresa que trabalhava, que postava, sempre: “Cadê esse cara? Cadê esse cara?…” e tudo relacionado a musica. Que postei na time line dela: “Do que adianta ser esse cara, se vocês não são lá essas “Minas”?” Um minuto depois ela me excluiu do face dela.

        1. Laveley

          O problema é que essas pessoas geralmente tem um ego imenso, ficam transmitindo a culpa de suas frustrações a terceiros e não conseguem enxergar a própria pessoa e que talvez a origem de suas frustrações esteja nela mesma.

          Esse caso de “pq não encontro nenhum cara que presta” é exemplar. A garota em questão nunca levantou a hipótese de que existem caras que prestam e quem não presta é ela, por isso não consegue achar esses caras. A mera visualização dessa hipótese atinge de tal maneira o seu ego gigantesco que vai externar uma reação violenta de tal maneira.

          E há outras questão a serem levadas em conta, afinal “o cara” da música do roberto carlos não é um companheiro; está mais para um serviçal assexuado.

          Pff… o ser humano é tão ridículo as vezes….

          O melhor mesmo é ficar quieto. Eu não sinto raiva nem desprezo dessas ególatras, sinto apenas pena.

          1. Jhon

            Olha um exemplo pratico disso;
            http://s1218.photobucket.com/user/jhon1171/media/Exemplo%20de%20Odio/demonstraccedilatildeodeodio_zps75215cf3.jpg.html?sort=3&o=0#/user/jhon1171/media/Exemplo%20de%20Odio/demonstraccedilatildeodeodio_zps75215cf3.jpg.html?sort=3&o=0&_suid=136909987944906893979865622193

            Eu me divirto com a atitude migosina e ilogica delas,infelizmente as coisas chegaram num ponto que vc tem que manter distancia do sexo feminino,se nao quiser se meter em problemas,as unicas mulheres que da pra vc manter um contato tranquilo é so com garotas de programas e só,no trabalho e facu,só entro em contato por motivos profissionais e só,aprendi por experiencia propria,vo contar até uma situação engraçada que aconteceu comigo,como já conhecedor da Real,e aplicando isso na minha vida,trabalho há 02 anos numa multinacional,claro funcionário exemplar,como sempre tem que que passar os relatorios de vendas pra uma certa funcionaria,como uma cara da Real elas notaram a diferença ela tentava puxar assunto sobre minha vida pessoal,claro nao respondia esse tipo de perguntas,tentava durante esses 2 anos me colocar na friend zone,sempre evitei com exito,até que um dia comum de trabalho a policia em frente a empresa e fui levado a delegacia acusado de estrupo por essa funcionaria,quase perdi o meu emprego e minha vida por causa disso,só que ela quebro a cara lindo,pq por toda a empresa tinha câmeras,principalmente na minha sala que alias ficava ao lado do diretor da filial que ouvia ate uma agulha cair na minha sala,minha sorte meus colegas e ate o diretor da empresa foi em minha defesa,ela claro foi demitida e entrei com processo contra ela por causa disso.Mas a minha salvação foi as cameras que conseguir ter acesso e a sala do diretor que ficava ao lado da minha, agora imaginem se eu não tivesse isso,minha vida estaria destruída,por isso eu digo e falam que sou exagerado, haverá um dia em o paises do mundo inteiro vai ter que dividir os seus territórios,uma parte só homens e outra só mulheres,por causas dessas vadiagens feminina.

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