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abr 03 2013

A ameaça do marxismo cultural

gramscipor Novaseeker, do The-Spearhead.com

Numa brilhante discussão que aconteceu em um dos posts do site, foram citado alguns trechos da obra de Willian Lind. Eu recomendo que os leitores leiam o material deste blog, já que Lind sumariza muito bem o que acontece com a nossa cultura atual – uma campanha prolongada do marxismo cultural.

O marxismo cultural geralmente é criticado por esquerdistas e radicais como uma espécie de teoria conspiratória, mas nada pode estar tão longe da verdade quanto isso. Ninguém está sugerindo que temos um grupos de gênios de esquerda que se reúnem em alguma sala de reuniões enfumaçada na Suécia e lideram tal campanha de forma conspiratória. Não, na verdade este movimento é totalmente baseado numa rede cooperativa difusa que funciona geralmente na vista de todos, e que usa técnicas e teorias que tem inspirações claramente marxistas.

Na essência o que está acontecendo no Ocidente nas últimas décadas é o resultado da conclusão que a esquerda radical teve em meados do século XX que a campanha de radicalização do proletariado e sua posterior mobilização contra os burgueses não ia dar certo no Ocidente. Tal conclusão levou a uma nova estratégia. A dialética econômica marxista de opor burgueses e proletários ainda se mantém na forma dos partidos socialistas ou social democratas em muitos países ocidentais, usando a legislação como u m meio de fortalecer tal agenda, enquanto a esquerda radical procurava outras alternativas para criar uma nova dialética revolucionária que poderia impactar a sociedade de uma forma mais ampla. O teorista comunista italiano Antonio Gramsci foi fundamental na criação desta linha da teoria marxista, pelo menos na perspectiva intelectual e teórica. A percepção de Gramsci que uma certa parte das convenções e estruturas sociais é que suportavam o sistema capitalista, e a necessidade de miná-los ou mesmo destruí-los para poder fazer com que a revolução triunfasse em sua missão de derrubar a ordem vigente.

Seguindo as percepções de Gramsci, os filósofos da esquerda radical, em particular os membros da “Escola de Frankfurt“, começaram a examinar os diferentes critérios que poderiam ser usados para criar o tipo de sabotagem cultural que Gramsci descreveu. Várias teorias e correntes intelectuais de esquerda foram criadas neste grupo, mas uma linha central foi a escolhida para ser usada neste conflito (1) qualquer coisa que não era hétero, branco e masculino contra (2) todos aqueles que eram héteros, brancos e masculinos, uma dialética mais poderosa e visceral teve que ser criada para poder destruir o que os marxistas viam como uma resistência cultural muito arraigada e que impedia as mudanças que eles queriam implantar com sua revolução.

Tal abordagem se provou mais efetiva que a dialética econômica marxista clássica já que ela se aproveitava de um grande e duradouro ressentimento que certos setores da população tem contra a parcela masculina da população dada a antigos ressentimentos. Como resultado, os radicais não precisavam se esforçar tanto para “radicalizar” o novo “proletariado” (mulheres, minorias e gays), porque a raiva visceral necessária para mover a revolução já estava enraizada nesse novo proletariado e poderia ser facilmente usado como motor para a mudança revolucionária em nível cultural. Essencialmente, era necessário reescrever a história da perspectiva de que todo mundo foi oprimido de forma cruel pelos homens brancos e heterossexuais durante toda a história da humanidade, e reduzir nosso entendimento das estruturas sociais do passado e do presente em uma visão que considera toda a narrativa como uma campanha sem fim de estupro e dominação perpetrado pelo homem branco contra tudo e todos.

Assim que essa narrativa revisionista foi completada e diligentemente disseminada, isto formou uma base poderosa para que movimentos que poderiam caracterizar a revolução cultural que tomou o Ocidente nas décadas de 1960 e 1970 e além. Esta visão revisionista se provou uma narrativa rígida e revisionista que poderia servir de dicionário para explicar tudo que aconteceu no passado e no presente, muito mais que a teoria econômica marxista tentou com sua versão “clássica” no início do século XX. A atratividade desta narrativa que retrata todo mundo que não é branco e masculino do passado e do presente como vítimas é muito óbvia – ela libera aqueles das classes “preferidas” de assumir responsabilidades por seus próprios problemas, e permite que eles culpem o homem branco e heterossexual por tudo o que eles acham errado em suas vidas e no mundo. E é isto que precisamente foi feito, e que continua a ser feito, por números desproporcionais de pessoas nas classes “preferidas” (mulheres, minorias e gays).

A melhor parte disso tudo é que não é tão necessário que o marxismo seja exposto nesta estratégia. Mesmo que muitas feministas e racialistas de fato se declaram marxistas abertamente, a maioria não o faz, enquanto eles sem dúvida aprendem pela nova interpretação cultural marxista da história que tudo não passa apenas de uma história de dominação pelos homens brancos e heterossexuais em detrimento das mulheres, minorias e gays. Resumindo, mesmo aqueles ativistas que não se declaram marxistas, ou que dizem se opor veementemente a teoria marxista, acabam engolindo um revisionismo histórico que é, por si mesma, inteiramente marxista em conteúdo.

O principal sucesso do movimento marxista-feminista se baseia em sua bem sucedida campanha de vender seu revisionismo histórico para a cultura como um todo. Em muitos círculos, por exemplo, é aceito sem discussão que a história da humanidade não passou de um catálogo de crimes cometidos pelo homem branco contra todo mundo. Esta é a versão da história que domina nossas universidades, e que é repetida sem cessar na grande mídia. Isto cria uma atmosfera que intitula todo mundo a odiar os homens brancos e heterossexuais, e apoiar leis e normas sociais que são feitas para minar o “poder” (mesmo numa era que o homem é impactado desproporcionalmente pela recessão) do homem branco e heterossexual e distribuí-lo para todos os outros, como forma de “justiça social”.

É claro, dado o “poder estrutural” do homem nas altas esferas da sociedade, nenhuma dessas mudanças culturais e legais poderiam ser feitas sem seu apoio.Então, porque eles colaboraram?

A razão principal é que os “homens no poder” no topo de qualquer sociedade sempre consideraram a massa de homens que estão abaixo deles com um misto de desdém e temor. Os homens, falando de uma forma geral, competem nas hierarquias, e aqueles no topo da hierarquia geralmente tem ciência que aqueles abaixo dele são uma ameaça a sua soberania. Historicamente isto foi posto sob controle pelo uso da combinação de fidelidades feudais e práticas feitas para enfraquecer os extratos mais baixos dos homens, através do uso de guerras prolongadas e a criação de uma classe de eunucos. O marxismo cultural do século XX deu aos homens no poder uma ferramenta poderosa para manter sob controle os homens de baixa hierarquia, de forma mais ou menos permanente, por colocar todo o restante da sociedade contra eles. Na maioria dos casos, este grupo não teme ser deposto por pessoas que não são em sua maioria homens heterossexuais e brancos, precisamente porque isto cria uma estrutura cultural que previne que isto seja feito por outros homens. Esta classe certamente não tem medo de ser deposto por mulheres no topo da pirâmide, provavelmente porque os homens neste nível estão em algum lugar privilegiado em alguma outra forma de grupo de liderança que ser suplantado por uma mulher não é um risco real.

Isto não quer dizer que há, ou tem, uma “conspiração” entre a esquerda radical e os homens no poder. Ao contrário, os homens no poder colaboraram com as idéias da esquerda radical porque isso servia a seus interesses – preservar seu próprio poder no topo da sociedade ao emaranhar os demais homens numa teia de direitos, preferências e discriminações que foram feitas para desestabilizar o homem por pessoas menos ameaçadoras ao seu poder como os não brancos, héteros e masculinos. É este alinhamento preciso entre nossas elites (em sua grande maioria homens brancos) e a esquerda radical que permitiu que a revolução cultural tivesse o impacto que teve e terá na nossa cultura, e ela funciona fazendo com que limite os poderes da maioria dos outros homens, de forma deliberada.

Eu penso ser impossível entender o que realmente acontece no Ocidente desde a década de 1960 sem compreender as entrelinhas da base do marxismo cultural. Isto também explica porque o sistema criado no resultado da revolução cultural é tão resilente e poderoso – ele tem o apoio de praticamente todas as nossas elites, de alguma forma. É claro, no longo prazo, as elites irão ser apunhalados pela esquerda radical, se o programa revolucionário real vier a mostrar suas caras. Mas por enquanto, há um poderoso alinhamento de interesses entre as elites e os radicais, tal qual que a sociedade inteira teve que ser redefinida para poder servir à proteção do poder das elites atuais ao dividir o resto da população contra si.

O caminho a frente para o homem é reconhecer este marxismo cultural e sua demonização deliberada do nosso sexo, muitas vezes com o apoio entusiasmado de idiotas úteis masculinos (eu não os chamaria de “homens”, já que francamente, eles não merecem serem chamados assim). Mas ele precisa reconhecer que nosso caminho é não obstante um caminho revolucionário, e um que nos levará a novas direções, ao invés das antigas. Nós somos mestres de nossos destinos, se nos deixarmos ser, assim poderemos seguir tantos e fascinantes caminhos se simplesmente tivermos a vontade de fazê-los. Um pré requisito para isto é entender este aparato do marxismo cultural que foi feito para nos ferrar, e o fato que muitos conservadores sociais colaboram com isto. O próximo passo é dar uma banana para todo esta estrutura e dar as costas para eles.

Além disto é que se encontra a verdadeira libertação masculina. Ela virá a nós, como indivíduos, se nós seguirmos estes passos, com integridade e confiança. E com um saudável e poderoso desprezo pelo que a mulher pensa disso tudo. Este é o nosso jogo, e nossas vidas.

fonte: http://www.the-spearhead.com/2009/10/16/the-menace-of-cultural-marxism/

7 comentários

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  1. Anjo_Censurado

    O interessante é como a politica está enraizada em tudo na sociedade.
    Trabalho em Colégio Estadual e o “tal pensador” é visto como um Deus, tenho serias dificuldades em pensar em uma solução ou possibilidade de dialogo sobre o rumo que a sociedade está indo, exemplificando… os professores de Sociologia, Filosofia, História e Geografia onde atuo, em conversa são no minimo tendenciosos para a esquerda, não existe a contra-argumentação, o pouco de pensar que está sendo transmitido ja vem contaminado.
    Sou leigo e ando pesquisando….. o governo pode ser democrático, monarquista, comunista, etc…. a economia pode ser capitalista, comunista, etc….. contudo o pensamento de direita parece se fechar e não a aflorar, hoje tanto debatemos sobre o que é esquerda, feminismo, minorias e a direta? suas ideias, teorias… gostaria de ver algo sobre isso.

  2. Jhony

    Grande Barão Kageyama, salve!

    Um bom complemento para compreender o “Marxismo Cultural” seria o curso aberto de 6 aulas do Padre Paulo Ricardo com o titulo “Revolução e Marxismo Cultural” disponivel aqui:
    http://padrepauloricardo.org/cursos/revolucao-e-marxismo-cultural

    Independente de ser Cristão ou Ateu é interesante assistir pois se trata de aulas de filosofia e historia.

    1. Barãozin

      O curso do Pe. Paulo Ricardo é excelente e tds devem ouvir sim, fica aí a dica!

  3. E92

    Com certeza o melhor post de todo o canal!!!
    Estou doido pra ler os cadernos do carcere de Gramsci, o “pai” da contra cultura. Mas tá foda de achar em português na net.
    Barão vc sabe onde encontrar em pdf os cadernos do carcere?
    Eu to lendo Eros e a civilização de Herbert Marcuse, depois faço um resumão do livro desse picareta, marxista, manipulador da escola de Frankfurt

    1. Barãozin

      Olha, eu acho q os pdfs dele podem ser encontrados facilmente por ae, já q geralmente as obras marxistas são de domínio público.

      Se não me engano naquele marxists.org deve ter uma cópia sim. Se não me engano no site do Olavo de Carvalho tem uma cópia dele.

    2. Gui

      Eu encontrei para baixar num fórum que eu frequento. O endereço é: forum.antinovaordemmundial.com. Vá no sub-fórum Biblioteca Anti-NOM e procure no índice que você deve achar.

  4. Leandro

    Este “Novaseeker” deve ser muito interessante. Ele tem um blog?

    No mais, quem quiser se informar mais sobre o marxismo cultural e a NOM, leia também estes textos:

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1292

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1496

    http://forum.bufalo.info/showthread.php?tid=2516

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