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fev 21 2013

A relação complementar entre o autoritarismo e o feminismo

tunisia

* não deixe de ouvir a Décima quarta edição do Jornal da Real no ar!

por W. F. Price, do The-Spearhead.com

Durante a “Primavera Árabe” no Egito, Magreb e outras partes do mundo árabe (talvez um termo mais apropriado para este movimento podia ser Primavera Bérbere, já que ela ocorreu principalmente no norte da África), muitas das leis “progressistas” impostas pelos ditadores sofreram ataques pelas novas facções políticas.

Na Tunísia, onde as revoluções começaram, o antigo líder fez muito para avançar a causa feminista em seu país, possivelmente sob os pedidos de sua esposa. Muitos desses líderes muçulmanos foram educados e treinados no Ocidente antes de assumirem o poder, e durante o curso de sua instruição eles absorveram muito do que hoje são as políticas progressistas. Na verdade, as vezes eles estavam até a frente do Ocidente neste ponto já que, sendo ditadores, eles tinham pouca ou nenhuma oposição para implementar suas políticas.

Um relatório publicado pela Consultancy Africa Intelligence descreve em detalhes as políticas implementadas por Ben Ali e seu predecessor na Tunísia:

Diretamente depois da independência na Tunísia em 1956, o presidente da nova república tunisiense, Bourguiba, adotou um novo código de status pessoal (PSC). Como resultado disto, o papel da lei islâmica neste quesito  terminou ou foi bastante suprimido, e uma família mais igualitária foi estabelecida. Este código foi, e ainda é, famoso no mundo muçulmano e além por sua abolição (ou reinterpretação) dos preceitos clássicos islâmicos. Por exemplo, até hoje, a Tunísia é o único país muçulmano que proíbe a poligamia e assegura direitos iguais no divórcio para homens e mulheres.

Nos anos que se passaram, outros códigos foram adotados que também visavam a emancipação da mulher. Em 1959, a Tunísia proclamou uma nova constituição que protegia o princípio de igualdade, e medidas foram tomadas para melhorar a participação feminina na sociedade: as mulheres ganharam o direito ativo e passivo ao voto (1957), e um programa efetivo de planejamento familiar foi introduzido e as mulheres ganharam o direito à educação (1980). Em 1985, a Tunísia ratificou a Convenção da Eliminação da Discriminação contra a Mulher (CEDAW) na qual, em base na constituição, prevalece sobre a lei nacional. Tais medidas eram geralmente descritas como le féminisme Bourguibien.

Tirando a piada sobre o direito ao voto (até mesmo na União Soviética tinha “eleições”), isto foi tudo feito sem a encheção de saco da democracia, então foi bem fácil.

Temos mais:

Ben Ali igualmente adotou um conjunto de medidas para melhorar a situação da mulher divorciada. A primeira era relativa ao divórcio: mesmo que a PSC era a única lei familiar na região que obrigava o homem pagar o sustento da ex-esposa depois do divórcio, geralmente ela não era posta em prática. Para melhorar tal situação, Ben Ali criou um fundo estatal para assegurar o sustento da mãe e dos filhos depois do divórcio (1993).  A segunda medida concerne ao código da nacionalidade, que permitia as mulheres passarem a sua nacionalidade para seus filhos. Isto foi crucial para prevenir que mulheres que se casaram com um estrangeiro perderem a custódia depois do divórcio por alegação que a criança teria uma outra nacionalidade que a dela (1993). A terceira medida foi dar a opção do casal se unir em comunhão de bens, ao contrário da prática geral que era a separação total de bens, mesmo aqueles adquiridos durante o casamento. A comunhão de bens podia prevenir que uma mulher que não tinha uma renda durante seu casamento ficasse sem nada em caso de divórcio (1998). Quarto, a mãe que tem a custódia sobre seus filhos obtinha o direito de permanecer na casa de seu ex marido depois do divórcio (2008), mesmo se a casa pertencesse ao pai dele.

Hmmm, não me parece diferente daqui. Parece que Ben Ali copiou suas leis de divórcio do Ocidente. Talvez não seja coincidência que a Primavera Árabe iniciou com um tapa na cara que um jovem homem levou de uma funcionária do governo.

Ben Ali, de acordo com o relatório, usou o feminismo para ganhar legitimidade mesmo cometendo violações nos direitos humanos. E como sempre, a desculpa de proteger “as mulheres e crianças” geralmente serviam para cometer violações nos direitos humanos.

… sob Ben Ali, o feminismo estatal serviu para um objetivo diferente: num contexto de terríveis violações aos direitos civis e políticos, a proteção dos direitos da mulher virou uma maneira de ganhar legitimidade, tanto no nível nacional e internacional.

Os governos de Bourguiba e Ben Ali protegiam cautelosamente suas políticas feministas. Eles criaram instituições oficiais que promoviam o feminismo estatal, como a organização feminina UNFT (Union Nationale de Femmes Tunisiennes, criada em 1957), um centro de pesquisas femininas (CREDIF) e uma secretaria especial de Estado lidando com assuntos de interesse da mulher e da família, que mais tarde foi transformado num Ministério. Enquanto isso, todas as vozes de contestação eram silenciadas pela censura e por entraves impostos à vida daqueles que se atreviam a discordar. Mas mesmo com todo esse (ou por causa disto) contexto repressivo, o feminismo estatal era contestado.

Finalmente, a autora do texto, que evidentemente é feminista (ou pelo menos simpatizante), admite que a maioria das conquistas femininas na região foram feitas não para lutar contra a opressão, mas por causa dela:

A Tunísia está numa encruzilhada entre o autoritarismo e a democracia. Neste contexto, o direito da mulher forma uma causa decisiva. Não é apenas verdade que as leis feministas adotadas nos regimes anteriores foram impostas aos tunisienses de forma autoritária, fazendo com que a renegociação democrática dessas leis seja inevitável. Tais leis formam um ponto crucial no presente contexto também por serem muito progressistas, enquanto o presente governo é relativamente conservador. Esta situação causa medo entre as feministas locais, já que isto pode causar um retrocesso nas conquistas no campo do direito da mulher, mesmo que tais conquistas sejam não democráticas.

O feminismo precisa do autoritarismo por motivos óbvios: os homens precisam ser forçados por aqueles que estão no poder para eles se submeterem às mulheres em suas vidas. As feministas as vezes dizem proteger a liberdade e a democracia, mas as mais espertas sabem que ambos devem ser contidos para que a sua versão da igualdade prevaleça.

Finalizando, entretanto, como a Tunísia demonstra, a relação simbiótica entre o autoritarismo e as leis “progressistas” como o feminismo criam um ambiente que é pesado demais para a sociedade suportar, e rebeliões acabam surgindo. O que acontecerá no Ocidente é uma pergunta aberta, mas dada a nossa estagnação econômica, eu apenas posso ver a pressão aumentando.

fonte: http://www.the-spearhead.com/2013/02/02/the-complementary-relationship-between-authoritarianism-and-feminism/

8 comentários

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  1. Murilo

    essa resposta deveria ter saido no comentério do Brasileiro.

  2. Murilo

    E as detentas meteram um troço gigante no fiofó dela.

  3. Alex

    Caras me perdoem por comentar algo fora do contexto, mas, estou com raiva.
    Procurei na net um site que fale sobre coisas de Homem, algo contra o feminismo.
    Achei um ‘papo de homem’ “explicando” o feminismo para os Homens. Caras, que nojo me deu o FDP que escreveu o artigo deve ser um mangina lambedor de salto efeminado……, não consegui postar nada lá minha conexão tava lenta. Alguem podia entrar lá e mandar esse FDP pra aquele lugar e esclarecer algumas coisas pra quela gente.

    1. Barãozin

      Recomendo ignorar aquele site. A não ser q goste de se torturar.

      Sitezinho grotesco.

  4. Daniel

    Barao vc disse no ultimo Jornal da Real, sobre uma engenharia social para derrubar a base dos homens, tem muita coisa na internet sobre os illuminatis, q seria um grupo q controla o mundo por debaixo do pano, dizem q primeiro eles teriam q acabar com os homens, e fariam isso quebrando todos os pilares, sendo eles, familia, religiao e varios outros, isso tudo para chegar até a famosa Nova Ordem Mundial, entao eu pergunto sera q os fdps q comandam o mundo, estao usando o feminismo, para foder com todos os homens, entao acabando com os homens, nao teriam mais resistencia nem uma, e eles fariam uma unificaçao, unindo o mundo em uma só politica, e mandariam no mundo a vontade, dizem q eles ja conseguiram muitas coisas, e q a terceira guerra mundial seria contra os Muçulmanos, assim derrubariam a ultima resistencia q eh a religiao deles, sobrariam todos os homens acabados sem base nem uma, sem pilar nem um, e sobrariam as mulheres q nós sabemos q elas nao prestam pra nda, se o mundo dependece das mulheres, hj estariamos morando em cavernas ainda. Com toda essa estratagema, eles dominariam o mundo, dizem q eh o EUA, dizem tbm q isso eh uma teoria das conspiraçao e tal. Oq vc acha disso, tem um fundo de verdade nisso ? se vc puder fazer um post no site com esse assunto seria interessante, pq eu vejo o feminismo como uma engenharia social como vc msm disse, tem um video interessante falando sobre essa teoria dos illuminatis http://www.youtube.com/watch?v=64yb_omn03M&feature=player_embedded#! e esse http://www.youtube.com/watch?annotation_id=annotation_921482&feature=iv&src_vid=64yb_omn03M&v=JYJmdTPZ5ss muita gente vai dizer q eh só uma teoria da conspiraçao, mas se vc for ver o plano deles esta indo muito bem obrigado, usando o feminismo pra acabar com os homens, e como todos nós sabemos aki, o feminismo eh otimo para os poderosos, entao acho q faz sentido certas coisas sobre essas teorias da conspiraçao !

    1. Barãozin

      Como eu sempre falo, eu acredito que o feminismo seja uma das pontas de lança dessa “Nova Ordem Mundial”.

      Agora, quem está por trás dessa Ordem? Illuminatis? Ricaços de saco cheio? Líderes de potências estrangeiras como Rússia e China? reptilianos ou outros ets q não tem nada melhor pra fazer? Uma mistura disso tudo? Aí, eu realmente não sei. E acho q nem tem tanta vantagem assim em saber quem é pq como, independente de quem seja, eles devem ter um poder quase ilimitado tanto faz qual deles seja. Daria no mesmo, no fim.

      Praticamente toda a teoria da conspiração mais fundamentada tem seu fundo de fundo de verdade. Não diria q ela inteira é verdade q como pode ver, é gente poderosa q tá tocando o esquema. E com grana e estrategistas a rodo a sua disposição eles podem mt bem lançar uma cacetada de táticas de desinformação pra confundir todo mundo. Aliás, essas teorias podem até ser cria deles, misturando fantasia e realidade, justamente pra confundir td mundo e deixá-los ainda mais protegidos.

      É um tema complexo pra caralho.

  5. Brasileiro

    Viram esta notícia de violência doméstica em que um bebê perdeu a vida pelas mãos de sua mãe? Sim, alguém do sexo masculino morto por alguém do sexo feminino.
    Fôssemos adotar a lógica que usam para casos de homens que agridem mulheres, a culpa obviamente não seria estritamente da mulher que assassinou o próprio filho, mas misteriosamente iria para uma entidade abstrata chamada matriarcado, que age como um espírito e toma pessoas intrinsecamente boas e as obriga a fazer coisas que não querem. E, claro, teríamos de dizer que não devemos ensinar crianças a evitar serem mortas, mas sim ensinar mães a não matar. Também entraríamos naquela lógica de que a sociedade (essa outra entidade abstrata a que misteriosamente se atribui um monte de mazelas de responsabilidade individual) está permeada pela cultura do infanticídio,

    De minha parte, prefiro que se responsabilize exclusivamente a tal mãe que fez um ato tresloucado, mesmo que a criança tivesse um pai vivo que, até por estar em outra cidade, não estava na guarda do bebê. Aliás, quem ler a notícia verá que inclusive as detentas não se conformaram com o caso e já deram uns catiripapos na tal mulher, caindo aqui também na responsabilização individual por seus atos e não deixando de ser muito diferente daquilo que detentos fazem quando sabem que um cara matou uma criança.
    O pior de tudo isso é que provavelmente ideólogos irão inventar miraculosas explicações de que a culpa do assassinato dessa criança na realidade é daquela outra entidade abstrata a que costumam imputar todas as culpas do mundo, o patriarcado, isso se não inventarem que a culpa é do homem heterossexual comum. Obviamente que a criança morta será apenas e tão somente um detalhe.

  6. sergiovisk

    Mote de esquerdistas: “Tudo se justifica em nome da Causa”.

    Esquerdismo só usa os meios que tiver a mão pra impor sua agenda.

    Apela pra “vitimismo” quando é minoria, apela pra “legitimidade” quando é maioria, apela pra ditadura quando está no poder, e apela pra sabotagens, guerrilhas e revoluções quando é oposição.

    Esquerdismo não tem nada de liberdade, é imposição de uma ideologia e projeto de poder de qualquer maneira.
    .
    O feminismo é exatamente isso. Tudo vale em nome da causa feminista. Todo mundo se cala quando a violação dos direitos humanos acontece contra homens, desde que as feminazi estejam ganhando sua parcela de poder.

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