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dez 10 2012

Filmes para homens – Filmes de ficção e fantasia – Final

Ainda no regime de férias, pelo menos até semana que vem. Mas vamos dando prosseguimento aos artigos sobre filmes de ficção.

Caso não viu a 1ª parte, clique aqui. Se não viu a 2ª, clique aqui.

por Movies for MRA’s

Rolerball – Os gladiadores do futuro

James Caan é Jonathan E, o jogador nº 1 de Rollerball, o jogo assassino da utopia futurista. Ele tem privilégios, fama e mulheres, mas arrisca tudo isso quando seus líderes dizem que ele deve se aposentar.

Rolerball faz parte da onda de filmes “pensantes” de ficção científica que foram lançados uma década antes de Star Wars, e incluem filmes como 2001: Uma Odisséia no Espaço e No mundo de 2020. O produtor Norman Jewison trasnformou Rollerball num conto de alerta sobre a violência, a mídia e das pessoas que trocam sua liberdade por segurança. E isto tem muito a dizer depois de mais de 30 anos que este filme foi lançado.

Jewison nos dá uma bela imagem do futuro, onde tudo está bem, aparentemente. Os prédios são monumentos feitos de vidro e metal brilhante, as pessoas são elegantes. Nenhuma força paramilitar está invadindo casas para levar pessoas para algum gulag. Na verdade, apenas uma arma é mostrada em todo o filme, uma pistola que é usada para incinerar madeira. Mas por baixo dessa superfície as coisas não são tão quentes. Por exemplo, não há mais bibliotecas, resquícios de Farenheit 451. Uma sequência interessante é uma em que Caan tenta pegar informações no que parece ser o único computador do mundo, que se chama “Zero”, mas Zero não parece lá muito afim de cooperar. Bem, o filme foi feito bem antes de Bill Gates se tornar um nome conhecido.

De qualquer forma, Caan tem que fazer algumas decisões difíceis. Para poder retirá-lo do jogo, os líderes corporativos (que agora comandam o governo) ficam mudando as regras sem parar. Como retirar as faltas, as substiuições e o limite de tempo. Então na final, Rollerball virou um verdadeiro mata-mata. Como podem ver, eles tem medo que Jonathan E esteja subvertendo a mensagem que o jogo quer passar, que a ação individual é fútil. E é claro, ele mostra que não.

Em seu caminho, ele tem que perder muita coisa. Seu melhor amigo em seu time acabou tendo morte cerebral durante uma briga com o time de Tóquio. Sua amante, com quem aparentemente mantém um relacionamento amigável, é trocada por outra mulher, desta vez uma espiã corporativa (da qual ele se livra facilmente). Perto do fim, ele tem que rejeitar uma reconciliação com sua outrora amada esposa (não tão fácil assim) para poder se manter fiel aos seus objetivos.

Uma das cenas mais poderosas do filme é a que se passa no vestiário antes dele ir para o jogo final. Todos estão vestidos para o combate. Caan olha para seus colegas de time, mas agora todos eles são completos desconhecidos, homens sem rosto por trás de seus capacetes. Ele entra na arena, pronto para a batalha, sozinho.

Clique aqui para ver o trailer.

Aliens

Pode parecer uma recomendação estranha, já que o filme é estrelado por Sigourney Weaver, mas Aliens mostra o que muitos homens achavam o que realmente seria a igualdade entre homens e mulheres: mulheres tendo que viver sob os padrões masculinos e todo mundo se dando mal junto.

Aliens nos mostra Weaver e um pelotão sexualmente integrado de Fuzileiros Espaciais tendo que enfrentar os aliens do título em um planeta com toques ciber punk. A fuzileira da equipe não é nem aquela donzela indefesa e muito menos a machorra misândrica dos filmes atuais. Ela pega a sua arma e faz o seu serviço sem histerias, flertes ou vomitando clichês feministas. Ah sim, e os aliens são criaturas muito igualitaristas, não poupando homens e mulheres nas suas matanças.

Sim, temos um pequeno romance que se desenvolve entre Weaver e um dos fuzileiros, mas ele sempre é deixado de forma discreta. O filme é muito bom também mostrando de forma realista a coesão e a desintegração entre uma tropa. A mulher aqui não é nem a vítima e nem a heroína, elas são apenais mais um soldado, assim como os homens. Uma pena que as coisas não são assim no mundo real.

Clique aqui para ver o trailer.

Star Wars Episódio II: Ataque dos Clones

Outro filme estranho para figurar na lista. Eu o escolhi porque ele demonstra um pouco da dinâmica entre homens e mulheres de uma forma que considero realista. Aqui temos o Jedi aprendiz Anakin Skywalker tentando chamar a atenção da gatinha intergalática Padme Amadalla (Natalie Portman) sendo o cara legal. Em agradecimento, ela o humilha publicamente o tratando de forma infantil (o chamando de “Annie” em frente aos seus pares). Somente mais para a frente, depois que Anakin dizima uma vila cheia de civis, que ela decide que está apaixonada por este bad boy.

A virada ocorre quando, depois do massacre, Padme se aproxima de Anakin com uma bandeja, um símbolo de sua submissão a ele. Afinal, ele tinha “provado” a ela que ele era um “homem de verdade” matando tanto os inocentes quanto a sua culpa. Agora livre das responsabilidades por seus atos, ela viaja pela galáxia junto com o jovem mestre Sith em treinamento e se junta a ele no banho de sangue (ok, a maioria das vítimas aqui são robôs e criaturas parecidas com insetos, afinal Lucas queria manter o filme palatável para audiências mais jovens, então podemos chamar isto de “banho de óleo”?)

No fim do filme Anakin começa sua descida ao lado negro da força, então Padme se casa com ele. E esta é uma lição dura para todos os caras legais que desejam pegar algumas mulheres… e como tal sacrifício pode não valer a pena, há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante…

Clique aqui para ver o trailer.

Duna (de David Lynch)

A história é sobre um jovem que descobre que tem poderes messiânicos num planeta desértico, a única fonte da “especiaria”, a droga na qual a galáxia depende para viver. O livro se tornou um clássico da ficção científica, mas só foi filmado depois que Star Wars fez sucesso e os estúdios então resolveram se arriscar a filmá-lo.

A primeira parte do filme mostra uma boa interação entre o caído Duque Leto Atreides (Jurgen Prochnow) e seu filho e herdeiro Paul (Kyle MacLachlan). O desejo de Paul é vingar a queda de seu pai pelas mãos de lacaios do Império Galático é que motiva a maioria da ação, mas este filme não é sobre vinganças – Paul deseja realizar o destino que ele prometeu a seu pai, que é acordar os poderes “dormentes” nele.

O futuro desta história não é politicamente correta (afinal o livro foi escrito antes de 1960). Tanto homens quanto mulheres desenvolvem poderes únicos e inerentes ao seu sexo. Uma premissa é que uma revolta contra as “máquinas pensantes” (o que chamamos hoje de computadores) forçou as pessoas a desenvolverem suas habilidades mentais. Então temos uma ordem masculina quase religiosa dos pensadores (Mentats) e de guerreiros (Sardaukar, Fedaykin) e ordens femininas de manipuladoras genéticas (Bene Gesserit). Cada um é poderoso em sua esfera de influência e nenhum dos lados se metem nas esferas de influência das outras ordens. Homens e mulheres são “mundos” à parte.

A mãe de Paul, Jessica, é uma personagem nobre. Ela sai de sua irmandade (no caso, a Bene Gesserit) para poder dar apoio tanto a seu filho quanto ao seu marido. E temos boas cenas onde ela e Paul trabalham juntos para cruzar um deserto enquanto são perseguidos por vermes gigantes da areia. E então eles acabam se encontrando com os Fremen, guerreiros sagrados que esperam por um messias que os liderará, e Paul se encaixa neste papel.

Paul finalmente percebe seus poderes indo ao deserto e fazendo aquilo que é proibido, pegando a “água da vida”, mas o porque disto ser tão importante não é bem explicado na trama. E então ele tem uma revelação mística e pode realizar o seu destino. Como Prometeu, ele quebra as correntes da convenção.

Duna pode ser um filme confuso de se ver se você ainda não leu o livro. A metade final parece corrida, e muito das relações entre os personagens não são plenamente realizadas. Acho que é melhor simplesmente se sentar e deixar o filme penetrar na sua mente. Boa parte do filme são feitos em formas de mantras (“O verme é a especiaria, a especiaria é o verme”) O erro do filme nem é tanto ele ser corrido, mas sim por ter mantido muitas subtramas inúteis enquanto negligencia as intenções do autor da obra, que o surgimento de um herói não necessariamente é uma coisa boa.

Há duas versões do filme. A original que foi aos cinemas que tem 2 horas e 17 minutos de duração e outras versões que foram para a tv e o mercado de vídeo com mais cenas mal editadas que adicionam mais 40 minutos ao filme. A versão em DVD tem mais cenas deletadas.

O Science Fiction Channel fez uma minissérie de Duna alguns anos atrás que foi uma adaptação mais literal do filme. Ele também representou melhor as nuances políticas do livro, mas as vezes o seriado é irregular: você nota aonde os recursos para efeitos especiais acabaram!

Uma coisa que eu notei no filme original é que poucos filmes hollywoodianos depois da década de 1950 abordaram a religião de forma mais séria, e uma religião de forma mais masculina. O filme tem um senso épico bíblico nele. Paul como o Maudib ou o Mahdi ou a imitação de Kwizatch Haderach é, como a Princesa Irulan nos diz, a “Mão de Deus”. E nosso herói de alguma forma é apoiado em profecias, visões religiosas, ordens quasi-monásticas e musicas vindas de uma história de DeMille. A religião de Duna é patriarcal, com Paul sendo o homem que irá se livrar da Bene Gesserit feminina, uma rebelião de um jovem patriarca contra as mães terra na distante Arrakis. O herói de Frank Herbert vai até um lugar aonde a mulher não se arrisca a levar a humanidade para um novo caminho.

Outra cena boa é onde Paul pega a Água da Vida e tem sua consciência expandida pela revelação que “o verme é a Especiaria, a Especiaria é o verme.” É claro, isto é uma referência a união metafísica de todas as coisas. Pense nas Portas da Percepção de Huxley – especialmente quando Kyle MacLachlen no futuro interepretaria Ray Manzarek em The Doors e há uma cena onde eles vão a um deserto para terem visões místicas embaladas pelas drogas, mas eu arrisco a dizer que Duna fez tal coisa melhor. De qualquer formam isto mostra que a verdadeira exploração se dá em seu interior, e tais viagens foram responsáveis em levar o homem a liderar a civilização para grandes saltos.

Clique aqui para ver o trailer.

fonte: http://home.earthlink.net/~jamiranda/mramovies/id8.html

2 comentários

  1. Ratel

    Desde criança eu gosto de ficção científica. Naves, tecnologias avançadas … porém, o que realmente impactou a minha visão do futuro foi o filme ” O Planeta dos Macacos “, sobretudo a cena final, em que o personagem de Heston, compreende que está na Terra e que algo terrível aconteceu. A ficção científica só é envolvente e convincente se ela nos faz refletir sobre o homem (raça humana) em sua interação num um mundo em conflito e constante mudança.
    É bem verdade que quanto mais apocalíptica essa visão de futuro mais impactante e empolgante ela se torna, devido a plausibilidade dos acontecimentos. Como sou da geração do período final da guerra fria e crise do petróleo de 73, filmes como Mad Max 1 e 2, O Exterminador do Futuro, O Planeta dos Macacos, O Mundo de 2020, Blade Runner, THX 1138,Pandorium, Matrix, dentre outros nos leva a refletir, pela imagem de um possível futuro, sobre o dia de hoje.

  2. Brasileiro

    Valeria a pena falar mais um pouco sobre o Assange e as mulheres que o acusaram de estupro mesmo tendo consentido com o ato, vi este link sobre a história (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/?p=3232), comentando sobre a que grau chegou a coisa por lá. Vale muito a pena pelos comentários de quem mora lá e conta um pouco sobre o que aconteceu na vida dos homens suecos comuns após a aprovação do monte de leis absurdas que conhecemos.

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