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nov 11 2012

Filmes para homens – Filmes históricos (2ª Parte)

Finalmente consegui algum acesso a internet e estou postando a segunda parte da série sobre filmes históricos! A próxima parte eu realmente não faço ideia quando sai, afinal tá fogo pra conseguir entrar na internet por aqui. Mas vamo que vamo!

Este é o segundo de uma série de três artigos. Caso não leu o primeiro artigo, clique aqui.

Boa leitura!

por Movies for MRA’s

Lawrence da Arábia

Um filme que não tem personagens femininos com fala e sucesso de crítica e audiência? Lawrence da Arábia é um dos maiores filmes de guerra já feitos que conta a história do surgimento e posterior queda de um herói, ou anti herói dependendo do seu ponto de vista. E o herói é Thomas E. Lawrence, um oficial de inteligência britânico que se transformou num dos líderes da revolta árabe durante a Primeira Guerra Mundial contra o outrora poderoso Império Otomano.

A interpretação de Lawrence por Peter O’Tolle sempre é motivo de controvérsia. Alguns criticam que o filme faz com que Lawrence pareça muito efeminado, mas talvez isto seja uma tentativa genuína de demonstrar como era os relacionamentos mais próximos entre os homens na época. Vemos uma solida amizade se formar entre o Lawrence de Peter O’Toole e o personagem de Omar Sharif, Sherif Ali. E Lawrence tem que fazer algumas escolhas morais muito fortes. Em uma das cenas ele impede o começo de  uma guerra tribal executando pessoalmente um homem cuja vida ele salvou uma vez e que desde então virou assassino. Há um preço a se pagar pelo poder.

Há também alguns toques muito interessantes. Um é o contraste entre os soldados árabes em seus camelos e a nascente guerra mecanizada da Primeira Guerra com seus carros blindados, metralhadoras, motocicletas e aeronaves. Com a artilharia britânica iluminando os céus noturnos, fazendo bombas choverem sobre os turcos, Omar Sharif apenas pode observar tal coisa em choque e terror, comentando, “Deus ajude os homens que estão sob este bombardeio” — mesmo que tais homens são seus inimigos.

Lawrence da Arábia é um filme longo, e seu “director’s cut” ainda conta com diversas cenas deletadas da edição final. Audiências modernas (ou seja, pós MTV) devem achar o filme meio arrastado, especialmente na sequência onde eles cruzam o deserto para atacar uma fortaleza turca em Aqaba. E as cenas de combate são mostradas deliberadamente sem o heroísmo exagerado de Hollywood, tanto como ações radicais ou banhos de sangue horrendos. O filme explica a política por detrás dos combates de forma convincente e você pode ter uma idéia do porque da situação do Oriente Médio atual ser a que temos hoje através da análise dessas batalhas travadas a quase um século.

Se este filme tem uma falha, é nunca explicar direito qual era a situação militar da época, ao contrário da situação política. É uma boa idéia ler sobre os eventos históricos da Revolta Árabe de 1916 a 1918 se você quer saber melhor o que se passa no filme. Ou mesmo ler o livro de autoria do verdadeiro Lawrence, o “Sete Pilares da Sabedoria”. Se não der, simplesmente curta o filme.

Assista o trailer clicando aqui.

Crepúsculo das Águias (The Blue Max)

Há um diálogo neste filme que me marcou. Perto do fim do filme, a aristocrata Ursulla Andress convida o às George Peppard para escapar da iminente derrota germânica na Primeira Guerra fugindo com ela para a Suiça; Peppard despreza tal oferta dizendo que ele não será mais um dos “cãezinhos” dela. Ele então parte para viver sua vida em seus próprios termos.

Vendo isto quando criança notei a essência dos atuais homens que seguem seu próprio destino (MGTOW, para usar a sigla americana). O fato de Peppard ignorar a super gostosa da época ao invés de seguir o final “felizes para sempre” habitual de Hollywood é uma verdadeira vitória masculina. Você não precisa de uma mulher para dar significado a sua vida. Tal significado é algo que você deve achar em seus próprios termos.

Ah sim, vamos ao filme. É 1918 e a Alemanha prepara sua ofensiva final contra a França, esperando decidir a Guerra Mundial. Peppard é um soldado comum que pede transferência para a nascente força aérea Alemã, onde ele aspira ali conquistar a “Blue Max”, apelido para a medalha “Pour le Merite”, uma grande honraria militar da época. O avião era uma tecnologia nova, com nem 10 anos de uso, mas já haviam homens se arriscando a usá-la para ascender aos céus – ou cair de lá em chamas. Peppard foca todos os seus esforços para ganhar a Blue Max, enfrentando de forma destemida seus inimigos em combates aéreos e competindo com seus colegas de esquadrão para obter as maiores honrarias.

Este filme foi uma manobra inteligente de Hollywood na época, já que o protagonista é um alemão, mas dado o lapso de tempo desde a Primeira Guerra Mundial tinha terminado poderia ser considerada história antiga. De qualquer forma, a estória não é sobre a força aérea alemã mas sim sobre as condições que todos os homens devem enfrentar e as escolhas que eles podem fazer.

Peppard também tem que enfrentar outro desafio na forma do general do Alto Comando Alemão. O general vê seus feitos como algo que pode ser usado para propaganda. Mesmo com seus avanços no front ocidental, a Alemanha estava começando a entrar em colapso politicamente dado suas imensas perdas em vidas humanas e ao bloqueio marítimo feito pelos aliados. Esses grandes pilotos deveriam ser promovidos pela mídia como heróis de guerra para tentar impedir que a revolução explodisse entre os civis. Entre os escombros, algumas coisas devem ser preservadas e é a missão deste general tentar manter as coisas unidas e pensar no futuro, preservado para um dia melhor.

(Há uma bela cena onde Peppard bate uma foto num hospital militar. Sua enfermeira – a esposa do comandante de seu esquadrão , muda seu avental coberto de sangue para um limpo para poder sair nas fotos. Fora deste único quarto de hospital limpo vemos os corredores repletos de soldados feridos. Mesmo naqueles tempos a mídia tentava disfarçar o caos jogado em cima dos homens.)

Peppard é escolhido para pilotar um novo modelo de avião que, esperam, contribua para mudar a maré da guerra nos céus, ou matam seus pilotos tentando. E é neste contexto que Peppard tem que escolher entre fugir com Andress para ter seu “felizes para sempre” ou seguir sua verdadeira paixão. No fim, Peppard encontra a liberdade, voando com seu avião. Não, Crepúsculo das Águias não tem o tradicional final feliz de Hollywood… ainda bem. Mas é um final que aqueles homens que se libertaram irão entender muito bem.

Assista o trailer clicando aqui.

Indiana Jones e a Última Cruzada

Há coisas muito interessantes para o homem neste filme. Indiana Jones (Harrison Ford) e seu relacionamento com seu pai (Sean Connery); uma vilã que tem seu merecido castigo numa justiça poética; e a cena final onde os quatro heróis cavalgam ao por do sol.

Este filme é a saga moderna pelo Cálice Sagrado. Os homens fazem coisas másculas, mas o mais importante, Indiana sempre mantém seu foco em sua missão. Ele está disposto a sacrificar algo muito importante no fim do filme ao invés de deixar a ganância o consumir e levá-lo a ruína – ao contrário da vilã que deixa que sua ganância a consuma.

Ah sim, muito disso vem de fantasias masculinas adolescentes, mas po, é tudo no maior espírito de “Clube do Bolinha”!

Tobruk

A primeira vez que vi este filme eu era criança. E eu gostei muito. Na época talvez nem sabia porque, mas agora sei. Deixe-me explicar.

O filme é baseado num verdadeiro ataque realizado por comandos britânicos contra o porto de Tobruk, que estava sob o domínio das forças do Eixo, em 1942. Tobruk era o principal depósito de suprimentos do exército liderado por Rommel (a Afrika Korps). Os britânicos acreditavam que destruindo os depósitos de combustível do porto poderiam impedir o avanço das forças de Rommel para a Alexandria.

Tobruk tem como atores principais Rock Hudson, Nigel Greene, George Peppard e Guy Stockwell assim como os tanques da Guarda Nacional da Califórnia disfarçados de tanques alemães da época. Normalmente eu não levo muito a sério filmes de “commando”, já que eles apresentam de forma ridícula as operações especiais: um protagonista invencível que sai matando dezenas de inimigos sem nem ao mesmo se arranhar no processo. Mas Tobruk apresenta as coisas de forma diferente. Aqui temos homens resolvendo problemas usando suas experiências e seus cérebros. Em um momento do filme, o comboio dos comandos cruzam com um campo minado no meio do deserto. O personagem interpretado por Hudson consegue passar por ele, e a forma com que ele faz isso é fascinante. E temos também desonestidades. E algum fogo amigo. Tudo isto rodado num ambiente desértico, que faz com que os soldados pareçam isolados num planeta hostil e desconhecido. Mas eles conseguem cumprir sua missão no final. Nesta hora o filme vira o tradicional show pirotécnico, mas poxa, é para isso que pagamos o ingresso!

Eu reassisti Tobruk novamente e noto que o filme, mesmo como um drama, ainda é muito bom. Todos os personagens principais tem seus conflitos entre si, e mesmo que tal coisa possa parecer meio clichê, eles encaram isto de forma realista, talvez porque eles representam questões reais que transcederam uma simples representação cinematográfica da guerra: o personagem quase pacifista de Rock Hudson contra o coronel linha dura feito por Nigel Green contra o personagem proto nacionalista de Geoge Peppard. Cada um representa uma visão diferente sobre a missão a ser realizada. No fim, os três homens acabam reconhecendo o valor um do outro, algo nada mal.

Outra coisa interessante é a crueza do filme. Os soldados parecem que realmente estavam numa guerra, com a sujeira incrustada em seus uniformes e as barbas por fazer. E mesmo com os veículos blindados sendo tanques modernos se fazendo de tanques alemães da época, eu aprecio a realidade que eles passavam – a poeira real que eles levantavam, aquela sensação de ameaça iminiente. Nada daqueles efeitos especiais que deixam as cenas não tão reais. Mesmo o final repleto de explosões é algo impressionante quando você vê a reação dos atores a algo que são bolas de fogo aparentemente reais.

Coisas que perdemos nesses dias de efeitos especiais de última geração.

Continua no próximo artigo.

fonte: http://home.earthlink.net/~jamiranda/mramovies/id5.html

2 comentários

  1. Flávio

    excelente matéria, parabéns! deixo aqui uma pequena contribuição de filmes para homens: em especial os filmes do ator Clark Gable, conhecido como o “rei de Hollywood”, Gable alcançou tamanha notoriedade como masculinista que foi inspiração para a criação do superman, inclusive o nome Clark Kent foi inspirado no nome do ator. Hitler foi particularmente um apreciador de seus filmes, tanto que, com o alistamento de Clark gable nas forças aliadas no verão de 42, Hitler ofereceu um grande recompensa para quem o capturasse vivo. ( isso daria um ótimo artigo, não!). Quantos aos filmes sugiro: todos de Clark Gable sem exceção, lendas da paixão (brad pitt), o sangue semeou a terra ( james stewart), a sombra da noite (gregory pecky), arn cavaleiro templário, el cid (chalton Heston) e nenhum do Jonnhy Deep, que é afeminado. (preferi indicar somente filmes antigos de propósito, pois os novos são mais fáceis de serem indicados. um abraço a todos !!

  2. Brasileiro

    Esta aqui é prato cheio para uma próxima edição do Jornal da Real ou uma postagem aqui mesmo:

    http://br.noticias.yahoo.com/blogs/vi-na-internet/mulher-pede-div%C3%B3rcio-ap%C3%B3s-marido-recusar-fantasias-50-172511648.html

    Adianto o assunto: uma mulher na Inglaterra divorciou-se do marido porque este se recusou a realizar as fantasias do livro “50 Tons de Cinza” (leia-se aí sadomasoquismo, bondage e outras que envolvam dominar uma mulher). Tenho cá uma ligeira impressão de que o agora ex-marido não quis embarcar nessa não só por saber que isso poderia estimular que a mulher partisse para coisas mais extremas (dentro daquela insatisfação eterna), mas também por notar que poderia embutir uma armadilha em que ela poderia ter substrato para acusá-lo de violência doméstica, mesmo que aqui fosse algo consentido por ela.

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