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dez 03 2011

Workaholic – O homem escravizado, doente e atolado na Matrix Profissional

por Mandrake, usuário do Fórum do Búfalo

Workaholic é um fenômeno comportamental, ou melhor, uma faceta da matrix profissional que está cada vez mais crescente na sociedade, tendo maior incidência em organizações que possuem uma cultura extremamente competitiva.

Estar absorvido de maneira intensa com o trabalho, com longas jornadas diárias, carga horária de trabalho descomedida, ritmo veloz de se trabalhar e busca desenfreada de resultados são fortes indícios que podem contribuir para que o homem se torne workaholic.

É importante não confundir “trabalhar demais” com ser “viciado em trabalho”. Quem trabalha demais e distingue as fronteiras entre a vida profissional e a pessoal, consegue viver normalmente, quando não está trabalhando. Enquanto os viciados em trabalho, na maior parte dos casos, não têm vida pessoal e não conseguem viver tranqüilamente fora do trabalho.

Este tipo de pessoa sofre por trazer para si uma qualidade de vida muito ruim, pois as pressões do dia-a-dia e a auto-estima exagerada fazem com que este tipo de profissional tenha insonia, surto de mau-humor, impotência sexual, atitudes agressivas em situações de pressão ou desconformidade teste (com os resultados que ele esperava) e pode chegar a causar depressão, entre outros efeitos nocivos.

Quem primeiro abordou o fenômeno workaholic como um tema de estudo foi o psicólogo americano Wayne Oates, em 1968, num artigo intitulado “On being a ‘workaholic’”, no qual relatava sua própria experiência e, ao se comparar a um alcoólatra, o autor afirmava ser também um viciado. Oates (1971) definiu workaholism como um vício para trabalhar, compulsão ou a necessidade incontrolável para trabalhar incessantemente.

Os workaholics são os “viciados respeitáveis” do nosso século e, portanto, não causa mais estranheza aos nossos olhos alguém que trabalhe 10, 12 ou 14 horas por dia. É um indivíduo que, numa tentativa de ser aceito, respeitado e aprovado por conseqüência doprocesso de seleção natural, faz do trabalho um meio de alcançar tal aprovação e sucesso.

O avanço tecnológico aparece como um forte colaborador para o surgimento do workaholism. E-mails, mensagens instantâneas, fax e telefones celulares contribuem para que o indivíduo não consiga realmente se distanciar de seu trabalho.

Os workaholics são pessoas dependentes do seu trabalho. Praticamente, não conseguem fazer nada na vida a não ser trabalhar e, quando estão com a família, ou no lazer e na vida social, podem se mostrar irritados e até mesmo, desenvolver manifestações depressivas, pois são pessoas incapacitadas para usufruir seu tempo livre, em geral porque levam dentro de si um nível de ansiedade muito intenso e se acostumaram a conviver com o estresse utilizando o trabalho como válvula de escape.

Sua pior característica é o medo de fracassar. Este medo condiciona e impulsiona o viciado a estar tentando sempre mais e cada vez mais forte e mais concentrado na busca por resultados.

Devido ao excesso de trabalho, o workaholic acaba se privando de conviver com sua família, amigos e a natureza, tornando-se um solitário cercado de pessoas, pois sua obsessão pelo trabalho o impede de ser livre e aproveitar a vida.

É preciso ter ambição, querer crescer, desenvolver e prosperar, mas na dose certa. A ambição na dose certa funciona como algo propulsor, mas exageradamente pode levar a um comportamento compulsivo, exagerado. Deixará o homem cego. E com isso, o homem vai se encaminhando para outra Matrix. A Matrix Profissional.

Todos querem ter uma história de sucesso, mas muitos dedicam mais de 12, 14 horas por dia com este objetivo, e acabam não aproveitando o fruto do seu trabalho. Os resultados que aparecem servem de degrau para se querer ir além, sem ao menos desfrutar do que já se conseguiu.

Essa Matrix vira uma areia movediça, que te puxa cada vez mais para baixo. Quem é viciado em trabalho acaba perdendo os amigos, que já não o procura, porque sabem que ele não tem tempo. A família acaba criando outro ritmo de vida alheio ao mundo do viciado. Brigas e discussões acabam ocorrendo. O pior é que a tendência como em qualquer vício, é dilatar as doses do veneno.

É como alguém que começa a fumar, no começo fuma um, dois, cinco, depois de algum tempo já esta fumando uma carteira, em casos extremo pode chegar a três carteiras por dia ou mais. O fim do homem atolado nessa areia movediça. Nesse buraco negro sem fim. Nessa Matrix, seria o desenvolvimento de doenças psicossomáticas graves e fobia social.

Por isso, saiba entender os motivos que o leva a trabalhar. Aprenda a desfrutar daquilo que já conquistou.

Não podemos trabalhar ao ponto de perdermos de vista nossos desejos, anseios e necessidades. Não seja escravo do trabalho, não vá aos extremos. Busque o ponto intermediário.

Estude, se desenvolva, trabalhe, aprimore, faça investimentos, mas o primordial, desfrute de suas conquistas. Ela veio com muito sacrifício seu e, portanto, merece ser desfrutada. Em outras palavras, vá viajar e contemplar a natureza.

Busque o equilíbrio, goze a natureza e viva com harmonia.

 

 

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