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dez 09 2011

O Sexo dos vampiros e a violência – True Blood e a bolha da hipergamia feminina – Final

Caso não leu a 1ª parte, clique aqui.

por Whiskey’s Place 

Mas é claro, casamento hoje é só para os“donos de casa”, machos beta tão assexuados que fazem o serviço doméstico (mulher na verdade não quer que homem faça isto, para elas só basta que eles sejam dominantes e sexys) ao ponto que fazem suas esposas perderem todo o desejo sexual por eles. Hoje Lizzie viveria como Samantha de “Sex and The City” e provavelmente ela nem seria mais racional, faria suas aulinhas de pilates e aplicaria botox e teria uma “fabulosa” quantidade de amigays. E muitas memórias.

O gênio que as mulheres realmente querem, quando os tempos são bons e quando elas podem expressar isto, já está fora da garrafa. Um homem necessita apenas imitar o comportamento dos machos alfa de Crepúsculo, de Buffy, de True Blood, da série de Anita Blake, de Dexter, de qualquer seriado onde a mocinha evita contato com “caras legais” (que não são machos o suficiente pra elas) e prefere o mais ameaçador e desejado pelas outras, o macho alfa.

E sabendo que as mulheres hoje estão ganhando mais que os homens, particularmente nas áreas metropolitanas, a necessidade de um macho beta provedor é colocada em cheque. Em Nova Iorque, as mulheres ganham 17% mais do que os homens na faixa etária dos 22 a 30 anos. E também na mesma faixa etária em 39 das 50 maiores cidades americanas e empata com eles em outras 8:

Mulheres solteiras e sem filhos por volta dos 20 anos estão se dando bem nas cidades: elas estão ganhando mais que os homens nas maiores áreas metropolitanas dos EUA.

Na faixa etária dos 22 aos 30 anos, mulheres solteiras estão ganhando em média 27000 dólares por ano, 8% a mais que os homens em 366 áreas metropolitanas, de acordo com o censo americano de 2008 analisado pelos pesquisadores novaiorquinos da Reach Advisors. As mulheres guanham mais que eles em 39 das 50 maiores cidades e empatam com eles em outras 8. A maior disparidade ocorre em Atlanta, onde elas ganham 21% a mais do que os homens.

“Elas não estão precisando tanto de se casar,” diz Stephanie Coontz, que é professora de história e estudos familiares na Faculdade Estadual de Evergren em Olympia. “Elas irão selecionar mais, e vão adiar o casamento o máximo possível.” Coontz nega a noção que homens tem medo de mulheres bem sucedidas. Elas simplesmente querem se casar mais tarde, diz ela.

“Um dia eu me casarei e terei filhos. Mas não tenho pressa,” diz Rebecca Loveridge, 27 anos, uma diretora de marketing de uma revista de Washington D.C. Que também é dona de um blog sobre restaurantes. Ela gosta de sair para jantar, ir a concertos e ver exposições de arte com seus amigos. “Agora é hora de ficar solteira,” ela diz.

E porque uma mulher não iria evitar se casar? O que um “dono de casa” bonzinho teria a oferecer a ela? Só um pouco mais de dinheiro para ela comprar um sofá novo? Contra ter sexo e ser dominada por um alfa disputado por outras mulheres (o que faz ele ser mais desejado ainda)?

Mesmo numa recessão, o “valor de mercado” de um macho beta ainda não chegaria ao nível que fariam as mulheres abdicarem de ter sexo com um alfa dominante que nunca dará atenção exclusiva a ela para se contentarem com um macho beta que devotaria a vida por elas. Particularmente enquanto elas forem jovens, férteis e bonitas. Prontas para formarem uma família.

E cada vez mais os machos beta estão alheios a este problema que só aumenta. Na melhor das hipóteses, lá pelos 30 anos eles acharão uma mulher que irá aturá-los, para ter alguém pra carregar suas compras enquanto ela sonha com algum machão que realmente as excitem. E que até deixam isto bem claro ao seu marido bundão. O único grupo de mulheres que parecem fugir a esta regra são a das Mórmons, que tem uma rede familiar muito massiva e estável, e que são tuteladas pelas mulheres mais velhas, que pressionam elas a se casarem com um cara mais legal enquanto jovens e a evitarem a ficar rodando na mão de cafajestes na anonimidade dos centros urbanos. Uma jovem mórmom geralmente se casa até os 25 anos, enquanto uma mulher comum dos grandes centros urbanos de mesma idade já deve ter rodado na mão de uns 20 caras diferentes, ou mais. Quase todos eles, é claro, machos alfa dominantes. Esta “formação familiar aceitável” que Steve Sailer fala que é a culpada pelas baixas taxas de natalidade dos brancos (ou seja, casamentos cada vez mais acontecendo mais tarde). Muitas vezes uma mulher que “sossega” com um carinha normal até acha que nem compensa ter filhos com ele, já que geralmente ela iria precisar de fazer caros tratamentos de fertilidade para isto. E também temos um aumento no uso da inseminação artificial, com os filmes “Back Up Plan” e “the Switch” sendo um reflexo disto. Afinal, se uma mulher quer tal cara, ele já deve ter se casado tempos atrás. Melhor arrumar um material genético superior de um macho alfa dominante de um banco de esperma!

Cada vez mais, alguns machos beta estão considerando estas mulheres, lá pelos seus 30 anos, rodadas demais para se unirem com ela e se transformarem num mero enfeite numa grande festa de casamento. Junte-se se isso a intolerância de mulheres mais experientes com caras que estavam fora do mercado sexual em seus 20 anos, não é de se admirar que eles também não estão muito a fim de casar (e preferem ir atrás das mais novas).

Mas a chave do problema são as próprias mulheres. Que provavelmente só vão se controlar depois de gerações e mais gerações de miséria, desespero e da pobreza de ser mãe solteira e finalmente dar mais valor ao homem comum e confiável do que ao alfa excitante e insensível. Por exemplo, mesmo depois dos preços dos combustíveis só aumentando, o amor americano pelos carros grandes e potentes nunca se foi. Vez ou outra carros econômicos, como o Toyota Corolla nos anos de 1970 a 1980 acharam seu nicho. Apenas para serem jogados pra escanteio em favor de carros maiores, mais espaçosos e mais potentes, que provê excitação, e não economia e confiabilidade. Os grandes carros esportivos encenaram um retorno modesto, mas os carrões espaçosos de outrora simplesmente se transformaram nos SUV’s de hoje.

A fantasia feminina revela justamente o que elas querem. Que é um homem violento e perigoso que elas podem controlar por serem mais atraentes do que as outras mulheres. Isto explica porque o vampirão Bill, mesmo quebrando o pescoço de sua amante durante o ato sexual não assusta elas, mas as excita. O gay assumido Alan Ball, criador de “American Beauty” e de “Six Feet Under” sabe muito bem como funciona a cabeça da sua audiência feminina. Não há reclamações, pedidos de cancelamento. Nenhum protesto feminista. Elas estão excitadas demais para isto. O silêncio das mulheres e das feminstas sobre esta cena, num seriado assistido por inúmeras delas, é reveladora. Por isto temos tantos comentários em defesa desta cena por parte das telespectadoras femininas.

Enquanto esta preferência por cafajestes não for contida por elas, as novas gerações irão nascer mais pobres e verão suas mães pobres e abandonadas, rapidamente elas poderão considerar um macho beta sem graça mas confiável para poder ter alguém para ajudá-las nos momentos difíceis.

Porque escondido no mercado sexual está o poder dos incentivos. Muitos homens estão se tocando, e muitos também não podendo evitar isto, que ser um mero macho provedor não é bacana, e a forma mais rápida para alcançar o desejo feminino é ser violento. Isto é um grande incentivo para aumentar uma competitividade brutal pela disputa das mulheres das classes mais baixas. Matando cada vez mais o status de “macho provedor”, por continuadamente diminuir os salários, já que para o provedor a vantagem financeira é o que mais importa, o que você acha que as mulheres escolherão: um provedor durante seus 20 anos quando os dois são mais propícios a um relacionamento ou ficar “no mercado” (até seu poder de barganha terminar) e ver o que acontece? Um macho provedor dificilmente pode se manter com uma mulher se ele for igual a ela em poder financeiro, muito menos se ele for inferior. Ela provavelmente irá escolher ter outro emprego, melhorar seu currículo ou caçar homens bonitões. A única saída para um macho provedor é ser uma máquina de fazer dinheiro, ao contrário tudo que resta a ele é ser um “dono de casa”, tão másculo quanto uma empregadinha doméstica.

Mas o pior será quando a maioria descobrir a resposta positiva que as mulheres tem perante a violência. Desde que esta violência não atinja diretamente elas (e até mesmo isto é negociável, como no caso de Rihanna e Chris Brown), a violência (e saber se safar de seus malefícios) é o caminho mais rápido para atiçar o desejo de uma mulher, sem falar em conquistar seu coração. E se um homem é desejado por ela, ela o amará cedo ou tarde. Assim que as coisas funcionarão:

Seja violento e bem sucedido nisso. Pegue uma mulher. E outra. E outra.

O vencedor pega tudo (literalmente). O perdedor acaba morto (ou sozinho).

Isto sendo realizado por um número suficiente de homens que se dão bem com isto para mostrar que esta loucura compensa, não dou nem duas gerações para que qualquer país vire um inferno. Os homens enxergarão o “mapa da mina” e se tornarão cada vez mais violentos, se envolvendo cada vez mais em brigas e assassinatos, para ganhar status com mulheres. Nada melhor para transformar os EUA numa favela gigante. ESTA transformação súbita, onde jovens só poderiam arrumar mulher através da violência poderia causar uma mudança massiva na sociedade, com as mulheres vendo a merda em que se meteram começarão a fugir deste ciclo de pobreza e violência criados através da repressão voluntária de seus desejos por homens violentos e perigosos.

Poderia até depois de um tempo de estabilidade os antigos desejos retornarem, ou não, mas isso não tem como ser previsto.

Mas neste interim, o que importa agora é saber se esta sexualidade extremamente explícita e violenta de “True Blood” é o máximo que o valor dos alfas pode chegar, um momento em que os valores ficaram tão insanos que nem tem mais para onde subir, ou será que esta dominância violenta pode ser ainda mais valorizada?

Eu, como homem, acredito que o valor dado pelas mulheres para os homens não irá se sustentar. O valor exarcebado que as mulheres estão atribuindo aos homens sexys e perigosos, tanto na fantasia quanto na realidade, é algo que não tem mais para onde se expandir. A qualquer momento os homens responderão em massa a este incentivo óbvio: “seja violento e treparei com você!”. Quando? Não sei.

E quando isto ocorrer, as mulheres poderão ver que a fina linha entre a realidade e a fantasia foi rompida, e assim como os romanos, embriagados que estavam por seus espetáculos sadistas de morte com seus gladiadores, execuções públicas e rinhas de animais, acabaram é por levar a queda de um império.

fonte: http://whiskeys-place.blogspot.com/2010/09/vampire-sex-and-violence-true-blood-and.html

Obs: Os grifos são meus.

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