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dez 02 2011

A violência doméstica contra homens

fonte: Antimisandry.com

Como todo o escândalo que a mídia fez sobre a traição de Tiger Woods, um aspecto interessante da história acabou passando batido: como milhões de outros homens, Tiger Woods era – alegadamente, pelo menos – vítima de violência doméstica por parte de suas mulheres. Além do custo brutal em danos físicos e psicológicos, a violência doméstica contra homens significa um grande prejuízo econômico que prejudicam a própria vítima, a sociedade e até mesmo a nação.

Na grande maioria das vezes, as autoridades e os cidadãos comuns enxergam a violência doméstica como um crime cometido por homens contra suas mulheres. Consequentemente, praticamente todos os recursos em propaganda e medidas legais são concentrados em programas que somente apóiam as mulheres.

Um problema ignorado

Só que mais de 200 estudos baseados em levantamentos feitos em casos de agressão doméstica demonstram que as agressões são mútuas. Na verdade, praticamente todas as evidências apontam que praticamente 50% de todos os casos de violência doméstica emvolvem troca de agressões e os outros 50% são igualmente divididos entre homens e mulheres que são agredidos covardemente por seus parceiros.

Parte da razão que este problema é totalmente ignorado é por causa que a cultura geral prega que um homem que apanha é “fraco” ou “maricas”. Um bom exemplo é o caso de Barry Willians: recentemente, a ex-estrela do seriado Brady Bunch (no Brasil, era conhecida como A Família Sol-Lá-Si-Dó) denunciou e processou a mulher com que vivia, porque ela o agrediu fisicamente, roubou 29 mil dólares de sua conta bancária , tentou até esfaqueá-lo e repetidamente fez ameaças de morte.

Seria difícil imaginar algum programa de tv fazendo chacota de uma mulher que passase por tamanho sofrimento, mas o programa E! Online aproveitou a oportunidade para tirar sarro de Willians, comparando o evento com vários trechos de episódios do seriado Brady Bunch. Parecido com isso, quando o Saturday Night Live tinha um quadro em que um Tiger Woods apavorado era seguidamente agredido por sua mulher e não recebeu crítica alguma por isso, mas o programa foi bastante criticado por ter sido insensível com o problema de violência doméstica que a cantora Rihanna sofreu.

Falta de estudos

As vezes é impossível ignorar o problema, como quando o caso termina em morte – como no caso do ator Phil Hartman – mas as causas tendem a ser explicadas como problemas mentais da parceira, aliviando a carga de culpa da assassina. O mesmo pode ser dito do caso Andrea Yates, em que muitos especialistas vieram afirmar como um “marido insensível” pode levar uma mulher a matar.

Muitas informações sobre o caso de violência doméstica contra homens são anedóticas, principalmente por causa da falta de estudos sobre este problema. Mesmo com muitas organizações que foram criadas voltadas a este problema, a única fonte de recursos a estas organizações é o Departamento de Justiça dos EUA, que deixa a responsabilidade da administração dos recursos para a Secretaria da Violência contra a Mulher.

Por anos, o Departamento de Justiça americano recusou explicitamente a patrocinar estudos que investigassem a violência doméstica contra os homens. De acordo com especialistas na área, o Departamento de Justiça recentemente concordou em financiar os estudos sobre o problema, desde que os pesquisadores também investigassem sobre a violência contra a mulher.

O primeiro estudo americano

As pesquisadoras Denise Hines e Emily Douglas recentemente terminaram o primeiro estudo americano que cientificamente determina o impacto social e mental da violência doméstica contra os homens. Algo a se destacar é que este estudo não foi patrocinado pelo Departamento de Justiça dos EUA, mas pelo Instituto Nacional de Saúde Mental. Isso demonstra não apenas que os pesquisadores que se propõem a pesquisar sobre o tema são ignorados, mas que a violência doméstica contra os homens não é considerada um crime, mas sim um problema de saúde mental.

Esta “descriminalização” da violência doméstica contra os homens afeta os resultados das pesquisas. Enquanto estudos baseados em levantamentos dos casos descobriram que homens e mulheres cometem violência doméstica em números muito semelhantes, estudos baseados em criminalidade mostram que as mulheres têm muito mais probabilidades de serem as vítimas. Esta incoerência começa a fazer sentido quando se considera que a violência de homem contra a mulher tende a ser visto como um crime, enquanto a violência da mulher contra o homem é visto de forma mais benigna.

Um estudo recente envolvendo 32 nações mostrou que mais de 51% dos homens e 52% das mulheres acham que é certo uma mulher bater em seu marido em determinadas situações. Em comparação, somente 26% dos homens e 21% das mulheres consideram certo que há momentos que é certo um marido bater em sua esposa. Murray Straus, criador da Escala de Identificação de Conflitos (Conflict Tactics Scale, ou CTS) e um dos autores do estudo, explica esta discrepância: “nos nunca vemos homens como vítimas. Sempre vemos mulheres como mais vulneráveis do que os homens.”

Joelhada no Saco

Esta afirmação se torna ainda mais surpreendente quando é considerado o caso do jogador de futebol americano Warren Moon, do Minnesota Vikings, que aconteceu em 1996. Durante uma discussão com sua mulher, ele tentou segurar sua esposa que lhe havia atirado um castiçal em sua cabeça e acabou recebendo uma joelhada nos testículos. Ele acabou sendo acusado de agressão física e só foi liberado pela justiça depois que sua esposa admitiu que foi ela quem o atacou, e que suas escoriações foram auto inflingidas. Estranhamente, a confissão por parte dela de ter inventado a agressão não resultou em nenhuma ação judicial movida contra ela.

Enquanto o julgamento de Moon atingiu a atenção da mídia para este absurdo, casos como esse são comuns e não recebem a devida atenção. Na verdade, há estudos que demonstram que se um homem chama a polícia para denunciar uma agressão de sua esposa contra ele, ele tem 3 vezes mais chances de ser preso do que a mulher que estava praticando a agressão.

Esta visão deturpada da violência doméstica que domina o senso comum também afetam os recursos que são disponiblizados para ajudar homens agredidos. Por exemplo, a Linha de Apoio contra a Violência Doméstica atende tanto homens quanto mulheres – é a única linha de atendimento gratuita dos EUA que se especializa em ajudar homens vitimados pela violência doméstica – enfrenta inúmeros problemas e burocracias para conseguir financiamento. No estado do Maine, onde se baseia a sede da Linha de Apoio, a maior fonte de financiamento viria se eles se associassem a Coalizão Para o fim da Violência Doméstica do Maine.

Na corda bamba

Mas de acordo com o Diretor da Linha de Apoio, Jan Brown, a Coalizão recusa até mesmo a aceitar o programa ter uma chance de se tornar membro, efetivamente negando acesso a finaciamento. Atualmente, 45 voluntários atendem 550 ligações mensaias daonde 80% sao de homens ou de pessoas pedindo ajuda em nome de um homem. Operando com um orçamento de menos de 15 mil dólares anuais, eles tentam prover treinamento intensivo aos seus voluntários e oferece as vítimas um abrigo, comida, passes de ônibus e outros serviços.

Os serviços de abrigo da Linha de Apoio são informais e improvisados, principalmente porque a falta de financiamento torna a construção de um abrigo com melhores condições impossível. Na verdade, dos 1,200 a 1,800 abrigos que estimam-se que existem nos EUA, apenas um – o abrigo Valley Oasis que se localiza em Antelope Valley, na Califórnia – provê um serviço completo de abrigo e apoio a homens vítimas de violência doméstica. E, em média, menos de 10% dos recursos que a Secretaria da violência contra a Mulher disponibiliza são usadas para combater a violência doméstica contra os homens.

Para as vítimas masculinas de violência doméstica, o sistema legal acaba se tornando outra forma de abuso. Como no caso do jogador Moon, homens agredidos acabam sendo presos, mesmo se são eles a chamar a polícia. E mesmo depois da prisão o processo de encarceramento, ordens de restrições de aproximação, ação de divórcio e a custódia dos filhos continuam a deixar os homens em grande desvantagem.

Um alto custo

As ordens de restrição de aproximação são obstáculos particularmente irritantes. A Radar Services, uma organização que monitora essas ordens de restrição, estima que 85% dos 2 milhões das ordens de restrição que são expedidas todos os anos são contra homens. Em muitos estados, o requerimento para conseguir uma ordem de restrição é vago: no estado do Oregon, por exemplo, uma simples alegação de “medo” de ser agredida já é suficiente para a expedição de uma ordem. Enquanto no Michigan, é expedido para proteger a família contra “possíveis danos psicológicos”.

Mas não há nada de vago sobre os efeitos das ordens de restrição de aproximação: geralmente expulsam homens de suas casas, negam a eles acessos aos filhos e resultam em gastos finaceiros enormes para milhões de homens que tem que procurar um novo lugar para morar, contratar advogados e pagar outras despesas. Para alguns homens, como Hines e Brown apontam, o sistema legal dá para esposas e namoradas má intencionadas e vingativas ferramentas adicionais para atacar seus parceiros mesmo se o relacionamento já terminou.

Como Straus nota, “a maioria dos recursos [para o combate à violência doméstica] devem ser mesmo dedicado as mulheres. Geralmente elas que são mais agredidas, são mais vulneráveis economicamente e são as que ficam na maioria das vezes com a guarda dos filhos. Mas mesmo assim, homens também tem que contar com mais recursos, não podem ser ignorados.”

Não há dúvidas que a violência doméstica contra os homens podem ser reduzidas; as iniciativas contra a violência dos últimos 40 anos trouxe à luz um crime que era escondido e deu proteção para milhões de mulheres que sofriam de violência de maridos abusivos. O próximo passo é admitir que a violência doméstica não é só um problema feminino ou masculino, mas um problema humano, e uma solução definitiva deve ser tomada para combater a crueldade – e o sofrimento – que ocorrem em ambos os sexos.

artigo original: http://antimisandry.com/articles/hidden-crime-domestic-violence-against-men-growing-problem-93.html

10 comentários

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  1. Thays Berger Conceição

    Cara equipe de comunicação,

    A Universidade Federal de Santa Catarina em parceria com o Ministério da Saúde oferece o Curso de capacitação a distância sobre Atenção a Homens e Mulheres em Situação de Violência por Parceiros Íntimos. Este curso destina-se aos profissionais do SUS com o intuito de promover, por intermédio de formação profissional continuada, ferramentas para que o profissional possa sensibilizar-se para desvelar a violência, identificar situações em sua prática e qualificar o atendimento a homens e mulheres em situação ou risco de violência por parceiro íntimo. Este curso é oferecido gratuitamente.

    Em todos os módulos temos uma atividade chamada situação problema que procura problematizar os tópicos que o conteúdo aborda, no sentido de sensibilizar o leitor para a temática. Para tal gostaríamos de utilizar essa matéria postada por vocês.

    Portanto, desejamos saber a possibilidade de vocês cederem os direitos autorais para que possamos utilizar as reportagens nas atividades com os alunos. A intenção é fazer um vídeo com vários recortes de reportagens convidando os alunos a refletir sobre o tema abordado.

    Para saber mais sobre o curso acesse o site: https://unasus.ufsc.br/violencia/

    Gratos,

    1. Barãozin

      Pode usar, dando os devidos créditos.

  2. Barão Ungern von Stenberg

    A mente das pessoas está condicionada pela crença de que as mulheres são vítimas históricas dos homens. Esse condicionamento, imposto pelo marxismo cultural, leva as pessoas a não se darem contra da violência que os homens sofrem. A sociedade acha natural que os homens se fodam e se danem, mas arregala os olhos e se escandaliza quando as mulheres sofrem.

    Se formos listar os sofrimentos que os homens passam, historicamente, teremos uma lista muito maior que o sofrimento das mulheres. Mas o feminismo cumpriu bem a função de alienar os homens do seu próprio sofrimento, como fez a doutrinação esquerdista de modo geral com os trabalhadores de paises ditatoriais como Cuba e Coréia do Norte, que não acreditam que são escravizados e oprimidos pelas classes dominantes de seus países.

  3. Raphael

    Concordo com tudo.

    Mas estou com uma dúvida e espero que me responda.

    Isso, em parte, não é culpa da cultura machista?

    Não gosto do feminismo pois sei o veneno que é na prática, mas me esclareçam outro ponto.

    Machismo é diferente de Masculinismo, certo?

    A mulher poder trabalhar fora (apesar de que se for carreirista é casamento arruinado, já vi ná pratica isso ocorrer. Carreira antes da família é prejudicial tanto para o Homem como para a Mulher, mas as feministas dizem que parar ou diminuir o trabalho em prol da familia é opressão), direito a voto entre outras coisas são apoiados por voceŝ, certo?

    Conheço um pouco da falácia do Patriacardo, sei que a mulher sempre foi muito bem tratada no geral durante a história, mas as Feministas não tem rezão sobre que culturalmente em diversas civilizações elas tinham direitos básicos negados e as vezes exploradas por serem mulheres?

    Se o Maculinismo for o que penso que é , Contra o Machismo (no sentindo de desvalorização da mulher referente ao homem) e o Feminismo (veneno puro) e a favor da REAL igualdade, respeitando direitos IGUAIS mas sabendo que somos biologicamente DIFERENTES e que isso influencia em nossas escolhas e comportamentos, com certeza me tornarei um de vocês.

  4. Diego

    E obvio que as mulheres sao privilegiadas pelas leis, o feminismo so que privilegios para mulher e humilhaçao para o homem, mas nada vai mudar… Ate o dia que os masculinistas façam protestos contras essas leis maria da penha, contra a desigualdade de verba enviada para a saude do homem, pra saude da mulher enviam 50 vezes mais, estamos sendo discriminados, por que nao fazer protestos contra o preconceito e discriminaçao do homem, os kra tinha que faze igual a marcha das vadias,faz a marcha dos vagabundos, ou nunca vai mudar nada, debates na net nao mudam nada!

  5. Felipe Reis

    Homem que comete crime bárbaro é um monstro, enquanto mulher que comete o mesmo tipo de crime é louca, descontrolada, vítima da sociedade… Até quando isso???

  6. Fabio

    feminismo – uma merda, igualzinho ao machismo, nazismo e outros

    1. Joane Farias Nogueira

      O que uma coisa tem a ver com outra,Fábio?! Feminismo pede e incentiva os homens a denunciarem suas mulheres. Procure se informar, por favor. E Felipe, me poupa,vai. Porque homem que bate em mulher é muitas vezes visto como um cara legal que só estressou e nada mais. E quanto ao autor, tem muita gente que tirar sarro com mulher que passa por violência. Quando não, as mulheres são vistas como merecedoras ou como pessoas que gostam de apanhar. Então, nós também sofremos o sarro!

      1. Barãozin

        Deixe de ser hipócrita. Parece um membro da Klu Klux Klan falando que “esses negros reclamam demais” e que não pegam tão pesado com eles assim.

        O feminismo considera o homem como mero servo. E nem adianta falar “ah, mas isto é femismo!” pois não há nenhum esforço sério dessas tais “feministas” em desmascarar a ação das tais “femistas”. Por exemplo, onde estão as “feministas” para denunciar blogs como o “Eu odeio os homens”? Provavelmente dando risadas e concordando com aquilo.

        Onde estão as “feministas” lutando para equalizar a guarda dos filhos?

        Onde estão as “feministas” lutando para botar a Lei Maria da Penha disponível para os dois sexos, e não apenas para a mulher? Estão é lutando para torná-la cada vez mais restritiva ao homem que pretende usá-la em sua defesa: http://delas.ig.com.br/comportamento/2013-05-24/lei-maria-da-penha-coloca-140-mulheres-na-cadeia.html

        Vai defender essa sua teoria supremacista lá no inferno, onde é o lugar de vcs.

        1. Ronnie

          Bravo! Colocou a vadia feminista no lugar dela…

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