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dez 09 2011

A Peregrinação para Ver um Alce

Traduzido por Miguel, do fórum Homens Honrados

Clark W. Griswold: ícone de uma era perdida.

Por Ken Knight

Qualquer um que já tenha visto a comédia de 1983 “National Lampoon’s Vacation” (no Brasil, “Férias Frustradas”) se lembra do personagem Clark Griswold (interpretado pelo ator Chevy Chase), afável e trabalhador pai de família que tenta levar a esposa e os dois filhos numa viagem de carro, cruzando o continente com destino ao (fictício) parque de diversões “Wally World” perto de Los Angeles. No início da década de 80, quando o filme foi lançado nos cinemas, foi uma comédia de sucesso, com uma classificação “R” (NT: no Brasil, o equivalente a 16 anos) devido a linguagem obscena e a uma cena com a atriz Beverly D’Angelo nua no chuveiro, voltada para adultos que se identificassem com o humor pastelão num cenário de “vida familiar”.

Mais de 25 anos depois, a premissa do filme ainda é engraçada e divertida por suas peripécias e humor negro (e cenários politicamente incorretos), mas também serve como uma “reflexão” para homens que não conseguem ver a típica família americana (de quatro ou cinco) na mesma perspectiva com que o fazia nos dias de outrora. O personagem fictício Clark Griswold é um homem excessivamente otimista, mas educado, que é o único provedor de sua família. Sua esposa Ellen é uma dona-de-casa e mãe de seus filhos Rusty e Audrey, que amam seus pais mesmo zombando deles por serem “esquisitos” de tempos em tempos, como os adolescentes costumam fazer (mas o respeito parental permanece, mesmo nessa comédia!).

O personagem Clark é inteligente, apesar de desajeitado e amavelmente ingênuo em relação a várias questões de senso comum, geralmente fazendo tudo que quer que seja feito, ainda que os resultados nem sempre sejam os esperados (roteiro de comédia) com sua esposa e filhos o acompanhando, de qualquer maneira, reclamando e amolando, mas mesmo assim fazendo o que Clark quer fazer! Enfrentando marginais da cidade, mecânicos desonestos, uma tia que é uma sanguessuga irritante no banco de trás e que morre, um primo aproveitador chamado Eddie, que leva metade de seu dinheiro, e uma loira gostosa e sexy dirigindo uma Ferrari (Christie Brinkley) que o provoca ao longo da estrada… Clark e sua família chegam ao “Wally World” através da perseverança e audácia dele, enquanto a esposa e os filhos só queriam desistir e ir para casa. Ainda que Clark seja cômico e divertido por suas tiradas e sua ingenuidade fora de sua zona de conforto, o personagem é um HOMEM que toma as rédeas de sua família e cuida dela enquanto sacrifica sua própria diversão. Sua esposa e filhos o seguem porque ele sempre consegue levá-los em direção ao pôr-do-sol apesar da seqüência de trapalhadas que acontece no caminho. Clark W. Griswold levou sua família àquilo que chamou de “peregrinação para ver um alce” (o mascote do “Wally World”) com uma tenacidade quixotesca, nos divertindo por  2 horas fazendo isso!

Por mais cômico que seja assistir Clark na tela, o arquétipo do homem que ele representa é atualmente visto por muitos, numa sociedade ocidental que vai lentamente entrando em colapso, como um “dinossauro”, “misógino” e até “opressor”, e desprezado pela geração mais jovem que talvez (ou não) tenha visto o filme “Féria Frustradas” em Blu-Ray ou na TV a cabo. Clark Griswold, mesmo com todos os seus atos e situações engraçadas, era o patriarca de sua família de quatro pessoas, o marido e pai cujo principal objetivo na vida era o de sustentar sua esposa e seus filhos em fase de crescimento, mesmo se para isso tivesse de trabalhar longas horas para manter incólume o estilo de vida deles.

Se “Férias Frustradas” fosse refilmado por Hollywood hoje, suspeito que a história seria escrita diferentemente, para incorporar a visão “corrigida” da vida em família para os Griswold e apelar para um “público maior” (i.e. mulheres e adolescentes), e provavelmente seria algo como o seguinte… Clark estaria morando num apartamento após um inesperado pedido de divórcio de Ellen, que teria obtido uma vitória acachapante no tribunal, levando a guarda exclusiva de Rusty e Audrey, bem como a casa e ¼ da renda do ex-marido em pensão para ela e os filhos, afinal esse tempo todo ela foi uma dona-de-casa. Além disso, ela influenciaria Rusty e Audrey contra o pai, que incessantemente planejaria levá-los ao “Wally World” durante o fim de semana “dele”. Ellen, a ex-esposa, descobriria os planos de Clark e naturalmente ficaria furiosa com a idéia dessa aventura, convencendo o novo namorado a, de alguma forma, sabotar a viagem e persegui-los pelo caminho (e, se o namorado fracassasse em acabar com os planos do ex-marido de “diversão em família”, ela arranjaria outro garotão para tomar banhos quentes com ela). Sim, platéias da Geração-Y dariam risadas dessa premissa, divertindo-se em ver Clark, o marido e pai dispensado, “trocado” por um namorado marginal e tendo metade de seus bens expropriados, sem ter feito nada de errado, a não ser… ter se casado!!

O que quero dizer é o seguinte: histórias de ficção, filmes, e seus personagens memoráveis como o Sr. Griswold estão se tornando, rapidamente, ícones de uma era perdida, exemplos daquilo que costumava ser realmente a vida em família (à exceção das situações cômicas que normalmente não aconteceriam), quando um homem era o chefe de sua casa, e sustentava sua esposa e filhos alegremente, sem medo de que tudo acabasse num divórcio devastador e na ladroagem que o Casamento 2.0 promoveu (sem nenhum motivo para risadas). Talvez o exemplo fictício do engraçado, porém dedicado “pai de família” Clark W. Griswold, com seus leais esposa e filhos, seja o último símbolo televisado do homem de família de uma era perdida… Isto é, se é que restará alguma inteligência na “família moderna” nas décadas por vir.

fonte: http://www.the-spearhead.com/2011/06/17/on-a-pilgrimage-to-see-a-moose%E2%80%A6/

Obs: Os grifos são meus

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